Feliz Natal


Até Júpiter e Saturno se encontraram e a gente ainda está aqui, sem poder encontrar ninguém direito, abraçando e esmagando do jeito que a gente gosta.


Estamos ainda nesse período de transição de 2020 pra 2021, vivendo o tempo da pandemia que alterou um pouco os significados do relógio. Conhecemos o calendário Gregoriano. Maia. Chinês. E agora inauguramos o calendário Covid, em que cada dia equivale a um mês. Na pandemia se construíram relações de meses que parecem uma vida, hábitos recentes que dão a sensação que sempre estiveram aqui. Nossa noção de tempo está completamente distorcida. Temos vivido várias eternidades por minuto.


Estamos perdidos no tempo nessa espécie de Toca do coelho da Alice há 9 meses, que é o período de uma gestação. Foi o tempo exato de a gente parir a gente mesmo.

A essa altura, já cortamos o cordão umbilical com quem éramos em março. Somos bebês coronnials (re)nascidos com ascendente em força, marte em resistência e lua em esperança. A era de aquário começou conosco dentro do aquário, mergulhando na profunda imensidão de nós mesmos.


Tem gente que acha que 2021 está vindo como uma entrega do PAC que não chega nunca. Mas é que 2020 foi um Sedex10 de comportamentos. Gente que se beijou hoje e casou até às 10 da manhã do dia seguinte. Gente que aprendeu a cozinhar em 3 dias úteis.


Gente que adotou bichinho e constituiu família. Gente que largou tudo e foi sua própria família.

Casas que passaram de dormitório a templo. Cozinhas, de abandonadas a abrigo.


A distância encurtada entre a sala e o escritório.

A distância encurtada entre a gente e a gente mesmo.


Um Feliz Natal pra você que, assim como Alice no País das Maravilhas, "não pode voltar pra ontem porque lá eu era outra pessoa".

Uma Feliz Nova Era pra você, com um oceano de novas sensações pra se explorar fora do aquário.


Continue a nadar.