Notas da quarentena

23.05.2020

Gatilhos por todos os lados. Gatilhos em tudo que eu vejo.

 

Antes da quarentena, eu saía na rua, tropeçava e caía num pagode.
Agora eu só tropeço em gatilho. 
Vou tirar o lixo e caio numa paranoia que já tinha largado em 2006.
Tô andando tranquila e escorrego numa culpa que já tinha me livrado. 
Não sei que dia é hoje, mas a previsão do tempo aqui em casa é de gatilhos com algumas nuvens. Bom agasalhar os pensamentos.
Espero que hoje não chova gatilhos na sua região. 

 

Live estranha com gente esquisita eu não tô legal

 

Tem gente que apoia os pequenos negócios.
Eu apoio as pequenas lives.
Caio sem querer em lives de 3 pessoas e lá permaneço, porque temo decepcionar o anfitrião caso eu vá embora. Eu me tornei a pessoa que “faz sala” em live de gente que nem conheço. Recebo os convidados e fica, gente, vai ter bolo. 
O problema é que o único bolo que chega é o dos próprios convidados. 

 

Tenho medo, me dá medo do medo que dá

 

Cesar Menotti postou outro dia que estava comendo tanto nessa quarentena que o seu tipo sanguíneo virou A peritivo.
Pois o meu tem virado O negativo.
Está difícil manter o pensamento positivo. Especialmente com a fobia recente que adquiri de notícias (alguns têm medo de escuro, outros de altura, eu no caso tenho medo de abrir o jornal). 
Então se você está vendo esse QR code aí na tela, pode doar qualquer quantia de esperança pra essa brasileira amedrontada que vos fala?

 

Deixa eu chorar, pro meu corpo ficar Odara

 

Se lágrima curasse COVID, eu poderia salvar o mundo com a minha choroquina. 

Não sei vocês, mas tenho chorado em comercial de pamonha, topada de dedinho e reprise de copa do mundo.  

Foi decidido que aqui em casa não será mais transmitido conteúdo impróprio (para mentes sensíveis) na TV.
A última escolha na Netflix, por exemplo, foi o filme em que a Turma da Mônica vai ao cinema.
Cebolinha que me desculpe, mas dolmi no meio. 

Pelo menos não cholei.

 

Nunca mais você saiu à rua em grupo ou reunido

 

"O dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor que é do cartaz.
No presente, a mente, o corpo é diferente, e o passado é uma roupa que não nos serve mais".

 

A roupa que nos cabe agora é o lookinho manchado de vinho, com notas de iogurte na gola e taninos de café na manga. Um look intenso, frutado, com aromas intensos que lembram mofo amadeirado, resultado dos 8 anos em que o look estagiou nos barris do seu armário. 

 

"Você não sente, não vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança, em breve, vai acontecer.

E o que algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer". 

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