Diário de uma quarentener


Ei, quarenteners!

Como andam?

Por aqui estou na quarentena-progressista, em que cada coisa é livre para ser o que ela quiser.

O papel toalha, por exemplo, tem transitado entre pano, prato, agasalho de fruta e papel higiênico, em casos extremos.

Já o Veja Multiuso carrega sua personalidade multifacetada no próprio nome, então ele pode ser desinfetante, detergente, limpa-vidro e shampoo. Ele pode ser o que ele quiser.

Até porque aqui em casa, simba, tudo isso que o sol toca é poeira.

As comidas também têm ganhado papeis importantes. Tenho ressignificado o presunto. Dado voz à carne moída. Desconstruído a banana.

Descongelar carne is the new black.

Lavar louça é is the new cropped.

Mas tem hora que cansa, né, minha filha - já diria Drauzio Varella. Nessas horas, me pego almoçando com facão de churrasco, fazendo chá em frigideira e bebendo água em jarra de flor - tudo isso pra não ter que lavar louça (de novo, de novo, e de novo).

A quarentena é um eterno melô dos teletubbies: de novo, de novo, de novo!

Lavar a mão, de novo.

Limpar a casa, de novo.

Cozinhar, de novo.

Limpar a sujeira da tapioca que parece que alguém cheirou pó na cozinha, de novo.

E a carentena?

Tô tão carente de evento social que vou tirar o lixo de blazer, faço delineador gatinho pra atender delivery e vou ao supermercado de abadá.

Pensei em fazer uma live no instagram pra mostrar os meus talentos, mas aí lembrei que não tenho nenhum.

Quem sabe não termino essa quarentena com algum novo?

Como o talento de opinar sobre BBB sem assistir o programa, por exemplo.

Ou o de ser atriz de algum filme, como o "Querida, encolhi as roupas" ou "Esqueceram de mim na panela".

Já os solteiros relembram saudosos o "Indiana Jones e a última cruzada".

Fico por aqui, quarenteners.

E vocês, #FiquemEmCasa.

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