O gato subiu no telhado

estava indo para a minha aula de yoga matinal, quando vi esse gatinho em cima do meu carro me desejando bom dia. me senti sortuda e ri pra ele, agradecendo pela visita. namastê, fofura. 

foi quando passou uma mulher irritada e, aos berros, falou que não aguentava mais esses gatos subindo nos carros de todo mundo, que já tinha reclamado pros síndicos, que aquilo era um absurdo e, enfim, todo aquele blábláblá típico de quem não transa (nada contra quem não transa, tenho inclusive amigos que não). nessa hora, percebi que a vida é da cor que a gente pinta. uma mesmíssima situação: para uns, símbolo de sorte e alegria, para outros, sinônimo de azar e irritação. quantas vezes eu, você, o vizinho mal humorado, a irritada dos gatos, damos à vida mais peso que o necessário? se não levássemos tudo tão a sério, descobriríamos uma forma de viver mais divertida e descompromissada com a perfeição. afinal, a vida é mesmo esse emaranhado de acontecimentos fortuitos. o controle non ecziste. nem sempre tudo sai como o planejado. às vezes o gato sobe no telhado. podemos esbravejar, gritar e espernear: o gato continuará lá. ou podemos vestir os óculos da leveza e seguir em frente, enxergando a vida com bom humor e descontração, saudando o gatinho. a vida é muito curta pra ser pesada. há quem ache que gato preto dá azar. azar é de quem vive uma vida sem leveza. 

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