2019, uma odisseia


Se você está tranquilo, provavelmente não frequenta o mesmo ano que eu.

2019 é um carrinho de montanha-russa que sobe, desce, voa, capota, sai dos trilhos, bate na parede e volta fazendo moonwalk.

2019 é aquela hora do Mario Kart em que a gente está em primeiro na corrida e roda na banana.

2019 É UM ETERNO RODAR NA BANANA.

Eu acho que vão pedir recall do meu carrinho.

Não é que 2019 esteja ruim. 2019 é um ano quase perfeito. Mas, tudo que é perfeito a gente pega pelo braço, 2019 parte a gente no meio, joga pra cima e pra baixo. Depois de 11 meses já tô vendo o resultado.

Foram tantos altos e baixos, subidas cheias de medo e descidas com gritos de adrenalina e tesão, que posso falar um monte de 2019, só não posso dizer que não vivi.

E, se chorei ou se sorri, o importante é que nenhum dente eu perdi.

Em 2019 fiquei presa a um estado de poesia: nada foi normal. Foi tudo intenso, enigmático e profundo. Cada verso dessa minha prosa foi visceral. Me obrigou a uma constante busca por auto-conhecimento e paz interior.

Mas 2019 não trouxe paz. Trouxe vida, muita vida, e com ela veio medo, angústia, prazer e excitação.

2019 é mistura de cafuné com murro.

É correr na chuva e celebrar a vida, andar no sol e arder a pele.

Tira o casaco, bota o casaco, tira o casaco, bota o casaco.

2019 é um churrascão de família: todo mundo falando ao mesmo tempo, lavação de roupa suja, um tio fazendo merda e você descobre que o tio é você, a carne queimou mas a cerva tá gelada, sambão comendo solto e o cachorro transando com a almofada, você ficou bêbado antes de sair a linguiça e a criança espirrou na farofa.

2019 nem acabou e eu já estou no cheque especial.

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