Afeturas

07.11.2019

Se meu livro de 2019 tivesse uma capa, seria o desenho de Davi*: As afeturas da Mariana. 
*Davi, 06 anos, autor dessa ilustração e de outras obras de arte.


Enquanto 2018 foi um terremoto que chacoalhou minha vida inteirinha, fazendo ruir algumas certezas e abalando meu coração sísmico, 2019 foi um ano intenso, forte e transformador.

 

Se em 2006 tirei permissão pra dirigir, 2019 me dei permissão para viver. Eu, que nunca fui dada a moderações, mergulhei de cabeça em tudo o que a vida me ofereceu. Quebrei alguns dentes, mas vivi as aventuras mais gostosas da minha vida. 


Ou melhor: afeturas. Afinal, de que valem as aventuras sem afeto?

 

Descobri que metade de mim é porralouca, aventureira, desapegada e maluca.
E a outra é afetuosa, romântica, carinhosa e sensível. 
Quem vive afeturas ama a liberdade, mas adora um chameguinho.
Viaja sozinho, mas volta cheio de amigos.
Gosta de mato e solidão, mas não vive sem gente e cafuné.
Salta de paraquedas no mundo, mas mergulha mesmo é nas pessoas. 
Quem é das afeturas não gosta da superfície: ama em profundidade. 

 

E em 2019 teve surra de amor. 


Teve o mais nobre e necessário dos amores: o próprio. Com anos tão intensos e cheios de aprendizado, amei a mulher que me tornei e me apaixonei pela solitude: me senti mais forte e mais viva. 
(Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro). 
Teve também o mais desnorteador dos amores, a paixão. 
Me apaixonei, desapaixonei, apaixonei de novo, me entreguei, caí, levantei, me expus, morri, voltei.
(Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro). 

 

Amar é pros corajosos. É pra quem está disposto a se afeturar por aí e voltar cheio das cicatrizes.
Amar é que nem sonhar que está pelado na escola: deixa a gente exposto e vulnerável. E também um pouco burro.

 

Amar é a maior das afeturas. 

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