Permita-se

Permita-se Permita-se amar, por mais que doa. Permita-se chorar, por mais que envergonhe. Permita-se sofrer, por mais que canse. Permita-se sentir. O medo nos faz sair correndo desse monstro terrível chamado “emoção”. Se sentimos vergonha? Estamos vulneráveis. Se sentimos tristeza? Somos fracos. Se sentimos paixão? Somos burros. Se sentimos raiva? Descontrolados. Sentir é desconfortável. Faz-nos lembrar que, na hierarquia do nosso corpo, o chefe é o coração. Mas pra ter acesso ao que o coração fala, é preciso senti-lo. Ouvi-lo. Acolhê-lo. Abraçar nossas emoções como abraçamos os amigos e dizer pra elas: está tudo bem. Vem cá, tristeza-repentina-que-me-apareceu-em-uma-terça-aleatória-pela-manhã, senta no sofá, bate um papo comigo e me explica de onde vem isso? Deita aqui comigo, angústia-existencial-que-bateu-depois-do-banho-sendo-que-eu-tava-feliz-antes, você pode me dizer o que aconteceu? Saber ouvir os outros é importante, mas saber ouvir a nós mesmos é essencial. Quando abrimos a porta do nosso coração, entra de tudo. Festa estranha com sentimentos esquisitos, eu não tô legal. A anfitriã, Vulnerabilidade, recebe todo mundo de braços abertos: pode entrar, Carência! Chega mais, Angústia, coloca a bebida ali, do lado da Euforia. Não faz muita bagunça, Paixão! Para de agarrar a Coragem, Medo! Ih, olha ali a Tristeza chegando de penetra (quem chamou?).


Permita-se receber todo mundo. Ninguém vai ficar pra sempre. Quando você menos espera, a Alegria pede pra ficar mais um pouco e sai pra comprar mais cerveja.

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