Permita-se

03.10.2018

 

Permita-se
 
Permita-se amar, por mais que doa.
Permita-se chorar, por mais que envergonhe.
Permita-se sofrer, por mais que canse.
 
Permita-se sentir.
 
O medo nos faz sair correndo desse monstro terrível chamado “emoção”.  
Se sentimos vergonha? Estamos vulneráveis. Se sentimos tristeza? Somos fracos. Se sentimos paixão? Somos burros. Se sentimos raiva? Descontrolados. 
 
Sentir é desconfortável. Faz-nos lembrar que, na hierarquia do nosso corpo, o chefe é o coração.
 
Mas pra ter acesso ao que o coração fala, é preciso senti-lo. Ouvi-lo. Acolhê-lo. Abraçar nossas emoções como abraçamos os amigos e dizer pra elas: está tudo bem. Vem cá, tristeza-repentina-que-me-apareceu-em-uma-terça-aleatória-pela-manhã, senta no sofá, bate um papo comigo e me explica de onde vem isso? Deita aqui comigo, angústia-existencial-que-bateu-depois-do-banho-sendo-que-eu-tava-feliz-antes, você pode me dizer o que aconteceu?
 
Saber ouvir os outros é importante, mas saber ouvir a nós mesmos é essencial.
 
Quando abrimos a porta do nosso coração, entra de tudo. Festa estranha com sentimentos esquisitos, eu não tô legal. A anfitriã, Vulnerabilidade, recebe todo mundo de braços abertos: pode entrar, Carência! Chega mais, Angústia, coloca a bebida ali, do lado da Euforia. Não faz muita bagunça, Paixão! Para de agarrar a Coragem, Medo! Ih, olha ali a Tristeza chegando de penetra (quem chamou?).

 

Permita-se receber todo mundo. Ninguém vai ficar pra sempre.
Quando você menos espera, a Alegria pede pra ficar mais um pouco e sai pra comprar mais cerveja.

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