Um manifesto pela selvageria no mundo


Calma. Este texto não vai pedir pra você ficar nu.

É apenas um manifesto sincero para que o planeta seja um lugar de menos aparência e mais verdade. Acho que grande parte das pessoas têm vivido como se o universo fosse um ambiente seríssimo, uma longa entrevista de emprego, em que não se pode andar descalço, dar gargalhada, ouvir música alta e rolar na grama. É maquiagem na cara, cabelo milimetricamente penteado, salto alto e roupinha bem passada. Estamos montados por fora, e desmontados por dentro.

Nos falta pular na piscina. Perder o biquíni no mar. Enfiar o pé na lama (e na jaca, eventualmente). Dar estrelinha. Sentar no meio fio. Comer pizza com a mão. Entrar em contato com a natureza e lembrar que viemos dela. Sentir o sol na cara, o vento na nuca, a água nos pés, a grama na bunda.

Estou lendo um livro ("Mulheres que correm com os lobos") que fala justamente sobre a natureza selvagem que nós, mulheres, temos, e acabamos deixando de lado por conta de uma sociedade pouco acolhedora com nossos instintos. Temos uma força descomunal dentro da gente - criativa, instintiva, poderosa -, mas não a utilizamos. Assim fomos educadas: mulher tem que ser doce, arrumada, graciosa. Nada de ser verdadeira, intensa, despenteada.

Mas este manifesto não é para as mulheres, somente. É para o mundo. Todos estão deixando de lado suas naturezas selvagens. Somos maquininhas robóticas preocupadas com o julgamento alheio. BORA DEITAR NO CHÃO E ROLAR NO ASFALTO, MINHA GENTE. Ligar o som e o foda-se. Deixar a música entrar em cada cantinho do nosso corpo e dançar. Abraçar árvore e se fingir de doido. Soltar a árvore e lembrar que não estamos fingindo, somos doidos para caralho mesmo.

Caminhar feliz na rua, cantarolar sozinho, ouvir nosso coração e confiar na intuição. A vida é muito linda e curta pra gente se podar tanto assim.

Sorria, você não está sendo filmado.

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