Somos a geração do ego?

01.08.2018

No fim de semana estava conversando com amigas sobre essa "era da vaidade" em que estamos vivendo. Percebo cada humaninho em seu casulo, na zona de conforto, arriscando pouco e se expondo nada.  Não me refiro à exposição das redes sociais, porque essa, pelo contrário, segue firme e forte. Afinal, temos que alimentar nosso rapaz que parece estar mais em alta que nunca: o ego.


Estou falando da exposição de vida, mesmo, aquela em que a gente bota nossa carinha pra fora e sente as consequências do vento bater. Pode ser ele que bata forte, congele o nariz e entorte a boca. Ou pode ser que ele venha em forma de brisa boa, aquela de praia, fim de tarde, com cheirinho de maresia e de flor de laranjeira. 


Mas a maioria nem abre a janela.


Fica no quarto, quentinho, porque não tá afim de se machucar. É melhor não sentir cheiro que sentir o aroma do fracasso. 


Medo da rejeição. Da vergonha. Da vulnerabilidade. 


O ego fala mais alto que o coração.


Com tanto medo de apanhar, acaba-se batendo. E aí surge um ciclo vicioso de competição: ganha quem é mais frio, mais forte, mais durão na queda.


Sendo que a queda, acredito eu, também é necessária. 

 

Odeio sentir vergonha, certamente não lido bem com rejeição e tenho medo do fracasso. Mas reconheço que passar por esses sentimentos nada mais é que condição natural de... estar viva. Se vivos estamos, sofrimento passamos. Vergonha sentimos. E derrotas vivemos.  


Fugir disso tudo é também fugir da vida. 


Na conversa com as amigas, chegamos à conclusão de que as redes sociais ajudaram nesse processo ego-ista. Afinal, o que reina por lá é a constante "competição pela melhor vida": que vença o mais foda. 


Pois bem, amigos, é com humildade que reconheço que não sou fodona, que gosto de carinho, afeto, atenção e cafuné. Que às vezes me sinto frágil e perdida. E que na maioria das vezes, esse "às vezes" é sempre. 


Ou o mundo acorda que precisamos do afeto um dos outros pra continuarmos vivos, ou sofreremos todos de morte lenta.


É de conexões verdadeiras que o mundo se alimenta. 

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