Sem Instagram


Fiquei alguns meses sem Instagram. No início foi esquisito. Sabe quando acaba a luz na sua casa e você insiste em acender os interruptores? Pois é, no começo peguei o celular algumas vezes, de forma automática, até me dar conta que o app não estava lá. E aí acendia o interruptor do Facebook, como consolo.


Depois de um tempo, ele passou a não fazer tanta falta. Tipo o mozão que de repente vai embora e você acha que o mundo acabou, mas passa um tempo e você está agradecendo aos anjos pelo livramento.


Pois então.


Nesse período, passei por alguns sentimentos interessantes:


Contentamento com o lugar presente


Especialmente em datas importantes como: reveillon, carnaval, feriados, fins de semana e segundas-feiras, o Instagram costumava me deixar meio bolada, criando uma sensação de que eu "não estava no lugar certo". É tanta gente supostamente se divertindo fazendo alguma coisa que você não está fazendo, que você se pergunta: será que tô vivendo errado?

Sem Instagram, você não se compara. Você está exatamente onde deveria estar.


Morte social


O Instagram é o RG da vida adulta. É ele que determina se você está vivo ou não. No meu caso, morri nos últimos meses. Cadê Mariana? Onde vive? Que comidas come? Como foi o treino dela? Como andam seus gatos? Será que é feliz? Será que viaja?

Nesse período de detox, inclusive, viajei para a América do Sul. Mas, como não postei nada no Instagram, venho me questionando se realmente fui.


Fotos relax


Ainda sobre minha viagem, tirei fotos sem pensar em postar, apenas em tê-las como memórias pra posteridade. Em algumas estou gorda, com papada, outras com sorriso de Zacarias, outras de Tião Macalé. Mas e daí? Cumpriram o papel que deveriam cumprir, que era o registro-turístico. Se fosse pro Instagram, Jesus, seria uma porrada de clique até arranjar uma que prestasse. Ganhei tempo pra realmente admirar os lugares e apreciar a vista. E cheguei a conclusão que: tem toda uma vida acontecendo enquanto a gente tenta tirar uma foto boa. Especialmente para seres estrogonificamente não fotogênicos, como eu.


Não posso opinar


Tem assuntos que só rondam o Instagram. É a blogueira que postou textão raivoso, a atriz que tirou foto pelada, o famosinho que está nas Ilhas Maldivas, a famosinha que deu uma super dicas fitness. Pra ser sincera, nada disso muito me interessa, mas me senti, por vezes, vivendo em um mundo paralelo, sem saber que as insta-celebridades casaram, pariram, se separaram, voltaram. E recomendo. Quanto mais vivemos a vida dos outros, menos vivemos a nossa, não é?


Tranquilidade mental


Hoje, quatro meses depois, sinto que ganhei uma certa tranquilidade mental. Uma segurança que a minha vida "offline" é mais especial do que tudo que eu possa encontrar ali. Consegui ler mais, meditar mais, me envolver mais com as stories do mundo real e não ligar tanto pro que eu estava perdendo no digital.


Conclusão


Se você leu o meu relato até aqui, obrigada. Talvez você esteja puto comigo, pensando: "velha analógica". Vamos na paz. Jamais cagaria a regra de que "Instagram é uma bosta", porque não é. Instagram é massa. Meus amigos que estão no Instagram são massa. Os memes, po! SÃO MASSA. Acontece é que, como tudo na vida, se utilizado sem moderação, vira um vício chato e acaba com a nossa sanidade mental. O Instagram pode criar uma geração de pessoas frustradas, de mal com seu corpo e com a sua vida, e alienadas da vida real.


Hoje, inclusive, pretendo voltar à rede (com muita moderação), uma vez que trabalho com comunicação e não posso, mesmo, me permitir longos detox. E sim, sinto saudades dos memes e de ver meus amigos. Mas sem crise. Levo essa bagagem aprendida, de que NADA ali vai me fazer mais feliz do que viver.


Está em nossas mãos usar as redes sociais ao nosso favor.

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