Tempestade de merda


Resiliência. Gratidão. Otimismo. Positividade. Felicidade. Good vibes. Coxinha.


Já usei todas essas palavras-luz aqui no blog, como tentativa de inundar esse mundão com amor. Já as repeti diversas vezes pra mim mesma, inclusive, concentrando em ser-luz.


MAS HÁ DIAS EM QUE A GENTE NÃO ESTÁ LUZ, PORRA.


Porque às vezes a vida é chuva de glitter, e às vezes é tempestade de merda. E se você por acaso está vivendo uma, com trovoadas de desespero e nuvens carregadas de pânico e frustração, opa! É um grande indício de que: você está vivo. E se você está vivo, vai sofrer. Simplesmente porque sofrer faz parte de quem está aqui, encarnado no mundão. Ficar triste também. Ter vontade de chorar, de desistir, de tocar campainha na casa da mãe e pedir pra voltar pro útero, de se perguntar QUE CARALHOS DE VIDA É ESSA QUE EU TÔ LEVANDO, de se sentir um grande bosta, etc, merdecétera. Se você já passou por tudo isso, é sinal de que está vivendo direitinho.


É tudo tão gratiluz, que a gente se acha na obrigação de ser feliz sempre. De cagar sorriso e peidar gratidão. Empurrar a tristeza pra debaixo do tapete e vestir o fake-sorriso.


Este texto não é um ode à tristeza. É apenas um lembrete (pra mim mesma, talvez?) de que não é tão errado se sentir triste. E que muitas vezes, abraçar o sofrimento, chamá-lo pra tomar um café e acolhê-lo, é tão sensato quanto mandá-lo embora quando ele fica tempo demais.


Sofrer é chato pra caralho.


O estômago aperta. Nada faz sentido. A gente não entende. Fica confuso. Sente que não pertence a nada. Tem ataque de pânico. Não dorme. Sua frio. Tem vontade de vomitar. De sumir. De melhorar.


Mas fugir do sofrimento, como quem foge dos raios de uma tempestade, também não funciona. Porque é sofrendo que a gente aprende, muda, evolui. E, no fim das contas, vê que é mais forte do que pensava.


Não precisamos sofrer por tudo. Estou lendo um livro ("A sutil arte de ligar o foda-se") que fala justamente sobre isso: sofrer pelo o que tem que ser sofrido e tacar o foda-se pra todo o resto. Foi inclusive aí que encontrei a expressão "tempestade de merda" e me identifiquei profundamente, tamanhas as cagadas da vida*.


*Sem vitimismo aqui. Alguns já passaram por cagadas maiores, outras menores, cada um carrega a cagada que tem que carregar e está tudo certo, porque tempestade de merda é osso duro de roer, pega eu pega geral e também vai pegar você.

Se você estiver com dores, dessas emocionais, que dilaceram o corpo e deixam a nossa alma vulnerável, não se sinta sozinho. E não tenha medo. Passe um tempo com a dor, troque uma ideia com ela, entenda de onde ela vem e por que ela te assusta tanto.

Quando ela passar, você vai querer agradecê-la por quem ela te tornou.

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