Um poema

05.02.2018

 

Aqui estou de novo, escrevendo no avião 

Já que não pega wifi nem tem televisão.

É tão mais fácil me concentrar
Sem nenhuma distração.
Vou escolher uma nuvem pra morar
E fazer meditação.

Agora passo um tempo comigo
E o relógio anda mais devagar.
Posso encarar o meu umbigo
Ou me imaginar sendo o Neymar.

Tudo é com mais calma
Enquanto estou no céu.
Sossego a minha alma 
A caminho de Montevidéu.

Escrevo em forma de verso
Como se fosse cabeçuda.
Fui inspirada pelo Chile, confesso
Pois visitei a casa de Pablo Neruda.

“La Chascona” é seu nome
Em homenagem à amante escondida.

Já tenho um pouco de fome
Cadê o carrinho da comida?

Voltando ao romance do poeta,
La Chascona quer dizer descabelada.

Era como vivia sua amante secreta
E esta autora na poltrona 4A sentada. 

Matilde, a despenteada
Deve ter sido julgada
Por amar de forma errada.

Mas quem há de julgar o amor,
Quando ele é de verdade?
Errado é viver com pavor
De amar em intensidade.

Falar de amor no céu é zona-franca
Não paga taxa nem imposto.
Todo amor é livre, bandeira branca
Tem amor pra todo gosto.

Da janela vejo o universo, que tamanho!
Sem internet não perco nada
Talvez o rato tomando banho.

De um lado, vista bonita
De outro, sono profundo
E eu só consigo ter gratidão
Por colocar meu pezinho neste mundo.

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