Ser mulher


Tem uma (famosa) frase da Simone de Beauvoir que diz: “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Tem como ser mais verdade? Cada dia torno-me, sim, mais mulher. Sinto-me cada vez mais confortável comigo mesma. Com menos medo, mais segurança, mais certeza de quem eu sou. Menos suscetível a julgamentos alheios e mais aberta ao melhor amor do mundo: o próprio. Cada vez mais ciente de que carregar comigo essas divinas tetas significa ao mesmo tempo dádiva e missão. Sei que não nasci mulher à toa. Sei que não conheci as mulheres que conheci à toa. Sinto-me tão privilegiada de conviver com mulheres fortes, guerreiras, independentes e deliciosamente feministas. Tornei-me mulher quando entendi que não fazia sentido me dar o respeito. O respeito já havia nascido comigo. Respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minha risada, escrevo assim minhas palavras, na voz de uma mulher sagrada. Meu corpo é a minha morada sagrada. Amo cada pedacinho dele. Minha alma é livre. Deixo cada pedacinho dela voar. Tornei-me mulher quando descobri que podia, sim, ser livre. Livre pra viver da forma que eu bem entendesse. Solteira, casada, dona de casa, executiva, mãe, sem filhos, viajada, romântica, desbocada, tímida, atirada. Lugar de mulher é onde ela quiser, certo? E o meu lugar é dentro de mim mesma. Só eu sei dos meus perrengues, minhas quedas e minhas batalhas. Só eu sei quem verdadeiramente sou, e quem mais precisa saber? Sou fiel escudeira de mim mesma. Quanto mais mulher me torno, mais minha amiga fico.


Quanto mais mulher me torno, mais mulher eu fico.


© 2023 by Salt & Pepper. Proudly created with Wix.com