Lembre-se da morte

03.04.2017

Apesar de quase nunca escrever sobre ela, penso bastante na morte. Não de forma sorumbática e meditabunda, mas de forma: levante sua bunda

 

E viva.

 

Tem uma expressão em latim, memento mori, que significa: lembre-se da morte. Há quem pense na morte como punição ou ingresso pro paraíso, e baseia suas condutas terranas nas consequências pós-vida. Mas, pra mim, memento mori é sobre o agora.

 

É sobre relativizar problemas, dar valor ao que realmente importa, se cobrar menos e viver mais. 

 

Eu vivo como se todo mundo (inclusive eu) fosse morrer a qualquer momento, o que é assustador às vezes, mas gratificante sempre: não economizo declarações de amor, pedidos de desculpas, abraços apertados e fraturas de alma exposta. Se a vida é passageira, bora sentar no colo do motorista e fazer tudo com amor e verdade. 

 

Viver com a intensidade de quem vai morrer amanhã e a leveza de quem não vai morrer nunca. 

 

Tem uma frase da Anne Frank (segundo a internet, mas talvez seja da Marília Mendonça) que diz: "Os mortos recebem mais flores do que os vivos, porque o remorso é mais forte que a gratidão". Triste, né? Mas verdadeiro. Esperamos as pessoas irem embora pra demonstrarmos nossos afetos e admirações.
 

Deixamos a vida passar, nos atolando nas pequenices mundanas, esquecendo-nos das grandezas cotidianas (que costumam estar nas coisas pequenas*). Ah, essa vida paradoxalmente linda e estrogonoficamente gostosa. 

 

*tipo eu

(brinqs)

 

Lembrar-se da morte é sair da zona de conforto, é se entregar, é agradecer.

 

Não deixe a gratidão ser só hashtag.

Não faça com que "curtir" seja só um gesto online. 

 

Lembre-se da morte e curta a vida.

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