Sobre os relacionamentos


Um cara vai ao psiquiatra e diz: - Doutor, meu irmão é louco. Ele pensa que é uma galinha. O doutor diz: - Por que você não o interna? Ele responde: - Porque preciso dos ovos. "Bem, é o que eu acho dos relacionamentos hoje. São totalmente irracionais, loucos e absurdos. Mas continuamos neles porque precisamos dos ovos". O trecho acima é do meu filme preferido da vida, "Noivo neurótico, noiva nervosa", do Woody Allen. Sempre penso nessa frase, e nessa loucura que é se relacionar. Porque amar é para os doidos. Eu não quero ficar teorizando sobre relacionamentos, porque tenho certeza que o amor é de humanas: não aceita fórmulas. O amor não é pragmático, ele vende miçangas. Ele não faz cálculo, faz cagada. Amor não é número, é textão. Não é tabela de excel, é power point em comic sans. Amor não é equação de primeiro grau, é queimadura de segundo. De todas as certezas que temos na vida, nenhuma delas virá do amor. O amor é uma estrada torta, com altos e baixos, infinitas possibilidades de desvios, retornos, caminhos. Quem nunca pegou a entrada errada pro amor? "Recalculando". O amor não usa gps, nunca sabemos pra onde ele nos leva. Amar é pra quem tem coragem. O amor não usa relógio: às vezes chega na hora errada. É como liguinha de cabelo: aparece quando você não está procurando. Timing quase nunca combina com amor. "Bem, é o que eu acho dos relacionamentos hoje. São totalmente irracionais, loucos e absurdos", repetiria Woody Allen. Sim. Mas e os ovos? Será que precisamos mesmo deles? Sempre pensei que o principal fator para um relacionamento dar certo é não precisar dele pra ser feliz. Sou do time que não acredita em metade da laranja, porque a gente já nasce inteirinho. Acho que justamente por isso sou apaixonada pelo amor. Porque, pra mim, ele é uma escolha, jamais obrigação. Estar junto é opção. Estar sozinho é ok. E quando a gente escolhe estar junto, esse é o lado "exatas" do amor. Aqui não existe irracionalidade, loucura, ou absurdos. O que existe é a vontade sincera de estar com alguém, independentemente do que isso representa. Independentemente do sonho do casamento, do status namoro ou qualquer "instituição" que venha acima dos nossos sentimentos. O lado exatas do amor é o lado do respeito, da admiração, do cuidado para não machucar. É o lado em que a boa e velha razão nos acompanha (mesmo que às vezes ela nos dê um perdido). É o lado que nos protege, nos ensina e nos orienta, mesmo quando a gente leva uns socos do amor. É o lado sóbrio, científico e exato, nessa loucura de humanas.

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