Sobre os relacionamentos

21.12.2016

Um cara vai ao psiquiatra e diz:
 
- Doutor, meu irmão é louco. Ele pensa que é uma galinha.
 
O doutor diz:
 
- Por que você não o interna?
 
Ele responde:
 
- Porque preciso dos ovos.

 
"Bem, é o que eu acho dos relacionamentos hoje. São totalmente irracionais, loucos e absurdos. Mas continuamos neles porque precisamos dos ovos".
 
O trecho acima é do meu filme preferido da vida, "Noivo neurótico, noiva nervosa", do Woody Allen. Sempre penso nessa frase, e nessa loucura que é se relacionar.
 
Porque amar é para os doidos. 
 
Eu não quero ficar teorizando sobre relacionamentos, porque tenho certeza que o amor é de humanas: não aceita fórmulas. O amor não é pragmático, ele vende miçangas. Ele não faz cálculo, faz cagada. Amor não é número, é textão. Não é tabela de excel, é power point em comic sans. 
 
Amor não é equação de primeiro grau, é queimadura de segundo.
 
De todas as certezas que temos na vida, nenhuma delas virá do amor. O amor é uma estrada torta, com altos e baixos, infinitas possibilidades de desvios, retornos, caminhos. Quem nunca pegou a entrada errada pro amor? "Recalculando".  O amor não usa gps, nunca sabemos pra onde ele nos leva. 
 
Amar é pra quem tem coragem.
 
O amor não usa relógio: às vezes chega na hora errada. É como liguinha de cabelo: aparece quando você não está procurando. Timing quase nunca combina com amor. 
 
"Bem, é o que eu acho dos relacionamentos hoje. São totalmente irracionais, loucos e absurdos", repetiria Woody Allen. Sim. Mas e os ovos? Será que precisamos mesmo deles? 
 
Sempre pensei que o principal fator para um relacionamento dar certo é não precisar dele pra ser feliz. Sou do time que não acredita em metade da laranja, porque a gente já nasce inteirinho. Acho que justamente por isso sou apaixonada pelo amor. Porque, pra mim, ele é uma escolha, jamais obrigação. 
 
Estar junto é opção. Estar sozinho é ok. E quando a gente escolhe estar junto, esse é o lado "exatas" do amor. Aqui não existe irracionalidade, loucura, ou absurdos. O que existe é a vontade sincera de estar com alguém, independentemente do que isso representa. Independentemente do sonho do casamento, do status namoro ou qualquer "instituição" que venha acima dos nossos sentimentos. 
 
O lado exatas do amor é o lado do respeito, da admiração, do cuidado para não machucar. É o lado em que a boa e velha razão nos acompanha (mesmo que às vezes ela nos dê um perdido). É o lado que nos protege, nos ensina e nos orienta, mesmo quando a gente leva uns socos do amor.
 
É o lado sóbrio, científico e exato, nessa loucura de humanas. 

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