Vamos falar sobre os serumaníneos?

10.11.2016

Esses dias eu estava no hall do meu trabalho, conversando sobre o dia em que pediram minha matrícula da empresa, por telefone, e eu, distraída, passei meu celular.

 

Um colega, que não conheço, também estava no hall e ouviu a história. Ele interagiu rindo e dizendo que tinha uma história legal pra contar, que era a seguinte: certa vez, seu amigo, o Osvaldo, ligou para uma área da empresa. A colega que o atendeu precisava anotar seu nome, e seguiu o seguinte diálogo:

 

- Qual o seu nome?
- Osvaldo
- Com "O"?

 

Ele, claro, estranhou a pergunta. Imaginou que ela tinha se confundido e queria perguntar se era com "V" ou "W". Respondeu:

 

- Com "V". 

 

Ela, surpresa, indagou:

 

- Volsvaldo??????

 

Fim da história, rimos muito.

 

O que o amigo do Vosvaldo tem a nos ensinar?

 

O amigo do Volsvaldo estava ali, de bobeira, esperando o elevador, e resolveu compartilhar essa história com a gente. O amigo do Vosvaldo poderia ter ficado na sua, poderia ter mexido no celular, evitado contato visual conosco (como 98% das pessoas que esperam o elevador). Mas não. O amigo do Volsvaldo deixou o nosso dia um pouco mais leve e engraçado.

 

Precisamos de mais amigos do Volsvaldo.

 

Precisamos de mais contato humano, de menos vergonha de falar com desconhecidos, menos medo de interação social. Precisamos sair das nossas bolhas, dos nossos celulares, das nossas inseguranças.

 

Outro dia, uma amiga, também do trabalho (ah, esse meu trabalho que me mostra tanta gente bacana) se queixava de estar cansada. Cansada de sair na rua e todo mundo estar distraído olhando pro celular, de amigos que cobram resposta no whatsapp, mas não te chamam pra tomar um café, cansada de tanta interação tecnológica e tão pouco contato humano.

 

Quem vai dizer que ela está errada?

 

São poucos os que puxam papos aleatórios, os que não tem medo de serem tachados de loucos. Tem gente que não dá bom dia quando entra no elevador, não sabe o nome do porteiro, não sorri para estranhos.

 

Estamos na era dos cachorríneos e gatíneos fofinhos, e nos esquecendo dos serumaníneos. Eu sou fã de gente, da história de cada um, de carinho e de olho no olho. De conversas jogadas fora, de cafés, de filosofia de buteco. Sou fã de textão, de desabafo, de entrega e de intensidade.

 

Sou fã de amigos do Volsvado.

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