Sobre a vida

30.09.2016

A morte é o jeito mais enlouquecedor (e doloroso) de nos lembrarmos da vida.

 

Quem parte deixa pra quem fica um recado de que isso aqui é passageiro, por mais que insistamos em viver como se não fosse.

 

Quem se vai nos lembra da morte. Quem se vai nos lembra da vida.

 

Ah, a vida. Esse despertador matinal que diz "ei, acorda, você tem o privilégio de um coração batendo". Não vale botar soneca, não vale adiar o compromisso com a existência. Cada segundo é precioso. Você nunca sabe quando o despertador para de tocar.

 

Se a morte é nossa maior certeza, por que vivemos como se não fôssemos conhecê-la?

 

Nos preocupamos com pouco. Invertemos prioridades e supervalorizamos pequenices.

Nos podamos muito. Perdoamos pouco. Criamos regras demais. Arriscamos pouco.

Nos cobramos demais. Enlouquecemos pouco.

 

Somos caretas demais.

 

Quem morre são os outros, não a gente. "Fulano está com os dias contados".

 

E não estaríamos todos?

 

Desde o dia em que nascemos, estamos com os dias contados.

 

A morte é destino certo, e lembrarmos dela deveria ser menos assustador, mais transgressor.

 

De que valem nossas inseguranças, medos e vergonhas, se vamos todos morrer um dia?

 

O que ficam são nossas experiências, relações, aventuras.

 

Nossas marquinhas nesta tão preciosa chance que nos foi dada: a vida.  

 

Então vivamos de alma despida, de sorrisos sinceros, de gargalhadas espontâneas. De danças esquisitas, beijos demorados e abraços quentinhos. Que sejamos movidos por paixões, sonhos e desejos.

 

Que não nos falte fome de existência, gana de felicidade.
 

Que não empurremos com a barriga.

 

Que não desrespeitemos a nossa própria verdade.

 

Dedico este texto ao meu colega de trabalho, Leo. Ele me ensinou que, na vida, o que vale é ser autêntico. Leo se foi sem deixar a menor dúvida de quem era. Do que gostava. O que pensava. Leo ocupou seu espaço de forma tão significativa e presencial, que parte deixando um buraco. Mas o buraco fica é na gente, porque ele foi completo. Conseguiu cumprir a missão mais difícil e receosa dessa vida, que é: ser você mesmo.

 

Dedico também à pequena Mallu. 

 

E a todos que já partiram. 

 

 

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