O melhor do Brasil é o brasileiro


Esses dias a facebooker Marcela Tavares foi vaiada por falar mal do Brasil em Nova York. Não sou fã de vaias ou de qualquer manifestação pública que desrespeite o próximo, mas quando o próximo já começa desrespeitando o seu próprio país... Dá não.


Se gentileza gera gentileza, ódio gera ódio. Haters geram haters.


E do ódio que Marcela costuma propagar por coisas aleatórias eu nunca fui muito fã – mas até aí tudo bem, internet é que nem tomada de três pinos, não veio pra me agradar. Só que quando ela ataca o Brasil assim, de graça, enquanto a gente tá aqui de boas comendo umas coxinhas e dando like sem querer nas fotos do crush, aí dá problema.


O Brasil que pintaram por aí não representa o meu Brasil, o Brasil do cidadão do bem, que paga suas contas, que tira catota no carro e esquece de devolver umas tapeué, mas não faz mal pra ninguém.


O melhor do Brasil é, sim, o brasileiro.


Só o brasileiro sabe que cerveja boa é cerveja num copinho americano. E café bom também.


Brasileiro bota a música do titanic pra tocar quando a balsa afunda.


Brasileiro joga vôlei no muro do impeachment.


O brasileiro segue em frente e olha para o lado.


O brasileiro criou a expressão EITA, que resume a minha vida.


O brasileiro vibra. Vibra quando a bola entra, o delivery interfona, o cartão aprova, a churrasqueira acende, o whatsapp volta, o salário entra, a sexta-feira chega, a impressora funciona.


O brasileiro faz brigadeiro. Beijinho. Faz festa. Faz meme. Faz fila também porque ninguém é perfeito.


Brasileiro pode chegar atrasado, mas é o último a sair.


Brasileiro sabe rir de si mesmo. E dos outros também.


Brasileiro toma cachaça. Cerveja. Catuaba. Toma banho também.


O brasileiro abraça. Beija. Abraça e beija. E beija de novo porque são três beijinhos pra casar.


O brasileiro sabe que o país tava bom, diz que ia mudar ainda pra melhor, já não tava muito bom, tava meio ruim também e agora parece que piorou, mas segue sorrindo.


Porque no país que inventou a saudade, a esperança é a última que morre.