Menina, você é linda


Menina, eu sei que desde o dia que você colocou seus pezinhos enrugados nesta Terra, o mundo já te cobra ser bonita. E ser bonita, para o nosso padrão de beleza irreal, que é sustentado por revistas, passarelas e redes sociais, veja só, é impossível.


O que significa que desde o dia que você colocou seu bumbunzinho de neném pra jogo neste Brasil, você se acha pior que as outras. Você aprendeu que se aceitar é errado, o correto é ir em busca do corpo-perfeito-com-cabelo-perfeito-e-nariz-ajeitado, caso contrário, você não existe.


Para existir como mulher, tem que ser bonita. É o que a mídia tenta nos mostrar em suas capas de revistas, mocinhas de novela e corpos photoshopados.


Menina, não há mal nenhum em querer ser bonita. O problema é que ensinaram pra gente que pra ser bonita, tem que ser perfeita.


Mas eu te digo: menina, você é linda. Assim, do jeitinho que você é.


Se aceite, menina. Eu poderia dizer que se aceitar é o primeiro passo para os outros te aceitarem também. Mas que se danem os outros. Este texto é sobre você.


É sobre você parar de se cobrar tanto.

É sobre você achar que é errado se amar. É sobre você ter sido criada numa sociedade em que o certo é se diminuir, é se inferiorizar, negar elogios.


Você pode se cuidar, malhar, correr, fazer dieta, pode fazer o que você quiser. Mas não endoida não, menina.


Não se esqueça de que isso aqui é passageiro, que nosso corpo é uma parte tão pequena de quem somos/fomos.


Não se compare tanto. Acredite se quiser, mas aquela menina-que-você-acha-perfeita tem as mesmas noias que você.


Somos todas vítimas. Eu, você, as modelos da Victoria Secrets. Todo mundo é cobrada. Toda mulher nasceu pra se sentir culpada.


Você, menina, que tanto pede desculpa, se encoraje e peça mais uma: "Desculpa, amigos, desculpa, família, mas hoje eu acordei me amando. Essa sou eu. Quem eu sou é muito maior do que quanto eu peso ou quanto eu como ou quantas celulites eu tenho. Desculpa, mas eu não tenho nenhum motivo para me odiar. Pode parecer estranho uma mulher se amar tanto, quando fomos criadas para nos odiarmos, mas eu me amo pelo simples fato de ser única".


Você é única, menina.


Pode se achar, porque esse jeitinho peculiar seu de gargalhar ninguém mais tem. O jeito que sua covinha entorta quando você ri sem graça é só seu. O tom de vermelho que suas bochechas adquirem quando você está apaixonada é exclusividade sua.


Seja você, menina.


Você é linda.


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