Viajar é bom, mas viver é melhor



Vou dar uma mamilizada aqui no blog e escrever sobre um assunto polêmico: o não viajar.


EEEEEPAAAAAAAAA!


Como assim? Em meio a tantos textos na internet que propagam a coisa maravilhosa que é viajar, eu vou te dar motivos pra não gostar tanto de viagens assim? Migacêtámuitoloca?


Quase isso. Antes de mais nada, eu preciso dizer que AMO viajar. Mesmo. Está entre as coisas que mais gosto no mundo, acho que nada me faz mais feliz que sentar numa poltrona de avião com destino a felicidade, a felicidadeeee. Até porque viajar é quase sempre sinônimo de férias, que é sinônimo de falta de regras, de liberdade, adeus dieta, de v1d4l0k4 e subversão. É a surpresinha do Kinder Ovo da vida adulta.


É viajando que sinto que os meus problemas são pequenos e o mundo é infinito: minha vidinha é minúscula perto da grandiosidade do universo.


Contra viagens, não há argumentos: viajar é, sim, bom demais.


O que tem me preocupado é a relação doentia que estabelecemos entre a nossa vida ~real~ e as viagens: muitas vezes, passamos o ano todo esperando por aqueles 15, 20, no máximo 30 dias que passamos fora.


Nossa vida se resume em: planejar, esperar, ser feliz em um curto espaço de tempo, e voltar a esperar, planejar, etc etc etc.


Tem alguma coisa errada nisso aí, não tem?


É algum sinal de que a vida que estamos levando não está indo bem. Seja pelo excesso de trabalho ou falta de lazer, sua rotina pode ter virado um saco. E saco vazio não para em pé: é preciso preencher nossos dias “normais” com pitadas de coisas “anormais”: tentar levar os dias com a mesma intensidade, amor e gratidão que nos cercam quando estamos fora.


Não é fácil. Tem dia que dá vontade de comprar uma passagem só de ida pro QUINTO DOS INFERNOS? Tem. Tem dia que tudo o que você quer é dar um mergulhão no mar, independente de como a vida anda? Tem.


O que não pode acontecer é essa romantização extrema da viagem, essa glamourização da vida quando se viaja, em detrimento daquela que acontece hoje, amanhã, e todos os dias enquanto estamos “em solo”.


Dê valor ao que você tem: sua casa, seu emprego, seus amigos, sua cama. Seja grato a sua rotina. Se ela não estiver legal: mude!


Não espere suas férias pra ser feliz.

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