O que aprendi com a dança

29.06.2016

 

 

Sempre quis escrever sobre a dança, mas ficava pensando: ah, tem gente que vive da dança, que pode falar dela com muito mais propriedade que eu.
 
Minha relação com a dança não é profissional, mas de puro amor.
 
E se tem uma coisa que aprendi é que a dança é democrática: se dança quem quiser, escreve sobre ela quem quiser.
 
E cá estou eu, tentando por pra fora a transgressão emocional que é dançar.
 
A dança me acompanha desde sempre. Quem dança, sabe que inevitavelmente a vida nos coloca em profundos hiatos entre uma dança e outra, por questões alheias à nossa vontade. Porque a vontade de dançar, ahhh a vontade de dançar... Ela não some nunca. O que some, às vezes, é o nosso tempo.
 
Nesses espaços vazios sem dança, parece que está faltando alguma coisa: um pedacinho da nossa estrela se apaga.
 
Dançar, pra mim, é a forma mais fácil de entrar em contato com a minha alma. É minha ligação direta comigo mesma, o encontro sagrado entre meu corpo e minha vontade de me expressar.
 
Dançar é desnudar-se de vergonha, de medo, de julgamento.
É sentir-se conectado com uma energia que te faz transgredir o espaço e o tempo: no momento em que se dança, nada mais importa.
Dançar é poesia.
É entrega. Devoção.
É amor na sua mais pura forma.
 
A dança não é discreta. Ela chega na sua vida mudando seus horários, seus hábitos, seus limites e, pouco a pouco, a sua vida.
 
Em um mundo onde mais se fala que se escuta, na dança se aprende a ouvir.
Em um mundo onde mais se julga que se observa, na dança se aprende a olhar.
 
A dança me ensinou a ter amor próprio, a me aceitar, me amar. Dançar é seduzir a si mesmo. Não é preciso dançar para os outros: nós somos a nossa melhor plateia.
 
Eu tenho 5,6,7,8 (mil) motivos pra aprender com a dança. 
 
A dança me ensinou, sobretudo, a importância de se apegar a algo que esteja além do trabalho, dos relacionamentos, da rotina, das obrigações.
Algo que te faça ser você mesmo.
Algo que te desafie e te motive.
 
Se não for a dança, que seja o futebol, a luta, a meditação, o que for.
Consideramos justa toda a forma de amor. 

 

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