Um texto sobre o bidê


Precisamos falar sobre o bidê.

De onde veio? Pra que servia? Pra onde foi? Por que sumiu?


Quando eu era criança, recebi a visita de um serumaninho iluminado que confundiu o bidê com a privada. Quando ela acabou o espetáculo, fomos chamados pra ver o show de Nutella no bidê. Inesquecível. Desde então eu nunca mais a vi. ˜O curioso caso da amizade interrompida por um bidê de brigadeiro˜.


Ou seja, na minha cabeça o bidê serviu pra duas coisas: cagódromo proibido e piscina pra Barbie. Utilidade pública.


Quanto mais se fala sobre o bidê, mais ele perde o sentido. A começar por essa palavra: BIDÊ. BI-DÊ. Repita ela três vezes na frente do espelho e perceba a inconsistência e a falta de sentido dessa junção de letras. Falando assim, parece que ele nem existiu, bidê foi apenas uma lenda urbana do século passado, algo semelhante a um escaravelho, ao anel de Gigeso, à varinha do Harry Potter. Basta falar três vezes BIDÊ e se tocar que você passou toda uma vida acreditando em bidês, quando ele nunca existiu.


O bidê, na verdade, nada mais é que a mesa de cabeceira da privada. É o perfeito suporte para revistas, livros, sudokus, rolos de papel higiênico e variados. Inclusive eu inicio a campanha: por um mundo com bidês com abajur! Pra que você possa obrar à meia luz, com romantismo e clareza na leitura.

Em uma rápida pesquisa na internet (bidê+pra+que+serve), vi alguns textos dizendo que bidê já foi uma EXIGÊNCIA LEGAL. Agora você imagina o BOPE chegando na sua casa e pedindo: identidade, cpf, comprovante de residência com bidê.

Bidê é inútil? Sim. Mas pode servir pra dar banho em tartarugas? Sim!

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