Sobre a ansiedade

16.06.2016

 

Tem aquela frase do Pequeno Príncipe que diz assim: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz”.
 
Na versão do ansioso, meio-dia eu já estou suando frio e às quatro da tarde eu começarei o piriri.
 
Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a desmarcar.
 
Ser ansioso é um porre, meu amigo. E quem não é? Se tiver alguém aí sobrevivendo ileso a esta era digital, maluca, workaholic, multitaréfica (rs) e sobrenatural sem sintomas de ansiedade, meus parabéns, você é o Buda da nova geração.
 
O problema do ansioso é que quando ele não está preocupado com alguma coisa, ele está com medo de se preocupar com alguma coisa, o que gera um ciclo sem fim chamado MEDO.DE.SENTIR.MEDO.
 
E aí, já diria Galvão Bueno, quem é que soooooobe? Sobe o batimento cardíaco, a suadeira, o frio na barriga e a vontade de sumir.
 
O ansioso é interruptor: interrompe o vídeo no meio, o microondas na metade, a fala do amigo e o livro que tava ruim.
 
O ansioso tem um olho no peixe, outro no gato, outro no celular, outro no computador, outro na TV, outro no peixe de novo pra ter certeza que ele tá vivão, outro no fogão pra ver se desligou mesmo, outro na fechadura pra ver se trancou e outro na planta lembrando se molhou.
 
A cabeça do ansioso não desliga: enquanto tem coração batendo, tem pensamento latejando. E sofrimento acompanhando.
 
Tem três palavras que tiram qualquer ansioso do sério: “Preciso conversar com você”.
E duas que vivem perturbando a sua cabeça: E SE?
E uma que é sua companheira constante: SERÁ?
 
SERÁ que eu desliguei a chapinha?
SERÁ que eu tranquei o carro?
SERÁ que ele tá chateado comigo?
SERÁ que eu fui grossa?
SEEEEEEERÁ que vamos conseguir vencer?
 
Ansiosos, uni-vos! Mostremos pro mundo que somos mais fortes que notificações não lidas, mensagens enviadas e não respondidas, que uma foto que postamos e não teve curtidas! Acalmemos nossos coraçõezinhos e nossas palpitações, nossas diarreias e nossas alucinações!
 
Vamos nos permitir surtar de vez em quando, chorar, gritar, errar.
 
“Depressão, ansiedade e ataques de pânico não são sinais de fraqueza. Eles são sinais de ter tentado manter-se forte de forma demasiado longa”.

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