Carta de uma filha recém-casada

Mãe, já escrevi algumas vezes sobre o dias das mães, né? Esse “universo materno” tem assunto todo ano: dá pra falar das suas mãezices, da sua proteção, do seu jeito carinhoso de me acordar (só que desconheço), do seu amor, da sua compreensão. Mas neste ano, quero falar sobre a novidade em nossas vidas, que é o primeiro dias das mães “morando separadas”. Quando a gente casa, todo mundo fala sobre casa nova, vida nova, morar junto... Mas pouca gente tem coragem de entrar neste assunto tão delicado: a ruptura da convivência diária com os pais. Não é fácil. Não precisamos necessariamente casar pra sair de casa, mas no meu caso foi assim. A ruptura do cordão umbilical com minha mãe se deu no dia 22/08/2015. E de repente a gente não assiste mais TV juntas, não confere o look uma com a outra antes de sair de casa, não divide a mesa do café da manhã, não briga por besteira, não sabe o que a outra está fazendo 100% do tempo. Parecia assustador no início. Lembro quando saí de casa de malas pra lua de mel e vi você chorar. Me deu um apertinho no peito em pensar que nunca mais seríamos eu e você, no dia a dia, juntas. E sabia que você estava pensando a mesma coisa. Mas hoje, percebo que amor de mãe é algo tão mágico, tão doido, que é possível senti-lo mesmo de longe. A gente é envolto numa aura de proteção tão forte que toda mãe deve ter o seu pacto com Deus: “enquanto eu não estiver presente, quebra essa pra mim?”. E assim vocês vão dividindo os cuidados comigo. Nesse dia das mães, quero que você saiba que estou sempre com você. Ainda que você não cobre de mim atenção, ainda que seu amor seja sempre incondicional, quero te dizer que não há um dia sequer em que eu não pense em você. (E escolher roupa sem você é uma das maiores torturas diárias).


Obrigada por dividir comigo um amor tão puro. Para sempre e ternamente, Sua filha.

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