Sobre influência digital, Instagram, Snapchat, e nossa vida pra onde foi

29.04.2016

 

Quando surgiu o Instagram, fiz birra pra entrar nele. O que via estando "de fora" era um mundo tão fake, uma exploração da felicidade constante, do bont vivant, do mundo fitness, de férias, de Pugliese life style. "Seja bem vindo ao meu perfil e veja a vida maravilhosa que eu tenho, porque a vida é mara, eu sou mara, fazer dieta é mara, tomar suco de couve é mara, ter mil férias por ano é mara".

 

Algo muito diferente das redes sociais ˜de antigamente˜, em que o bom mesmo era se zuar e entrar numas comunidades queima filme do Orkut.

 

Mas tudo bem: entrei no Instagram, postei lá minhas fotos sorrindo, casando, sendo feliz e vi que dá pra ter equilíbrio e usar o Instagram *com moderação*, sem necessariamente projetar um estilo de vida que não é o seu. 

 

Aí veio o Snapchat. 

 

Ah, o Snapchat. Não tenho como falar mal dele, porque né, aqueles filtros são maravilhosos. Mas ele me acendeu uma luzinha aqui de preocupação, um friozinho ruim na barriga em forma de alerta: pra onde nossa vida foi?

 

Eu sei que soa clichê e dramático esse tipo de pergunta, que vem acompanhada de um sonoro BA DUM TSSSS. Mas a gente precisa, sim, se perguntar: será que é isso mesmo? Será que agora todo mundo tem um quê de blogueira? Será que a gente não perdeu um pouquinho o fio da meada e se transformou numa geração obcecada pela rotina alheia, pelo "bom dia" de uma celeb, por um estilo de vida glamourizado e inalcançável? 

 

A sensação que eu tenho no Snapchat é que a gente ficou tão carente de contato humano (já que todo mundo é sempre mais interessado no celular do que no outro), que se apegou a todo o "contato" que o Snap permite, afinal ali você acompanha o dia de quem você quiser, mesmo daquela pessoa que na vida real nem tchum pra você.

 

Entendam que não estou aqui pra criticar nenhum usuário do Snap: sigo vários, rio com muitos, acho divertido, por exemplo, acompanhar a rotina da minha prima mudela que mora em Nova York, já que pelo Snap eu consigo ver o que ela faz de bão por lá.

 

A questão não é apontar dedos pra ninguém, nem dizer quem está usando o Snap de forma "certa" ou "errada". Porque estamos todos no mesmo barco, gente. Somos todos frutos de uma geração que se apegou muito ao celular (sim, eu me incluo nessa), que deixou a vida real um pouco em segundo plano pra fazer das redes sociais o seu mundo real. E isso reflete nos shows que vamos, nas festas que participamos, nos encontros de amigos, e em tudo o que a gente faz.

 

O perigo que vejo nisso tudo é que a gente acaba invertendo os valores e vive como se fizesse parte de um filme, pelos olhos de uma lente, exportando pro mundo uma vida de cinema. Quando a realidade ali nos bastidores é bem diferente: somos uma geração carente, de auto estima questionável, e extremamente ansiosa.

 

 

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