Rótulo? Só de cerveja

28.05.2015

Recentemente assisti ao testemunho de um casal que dizia o quanto os “rótulos” poderiam destruir um relacionamento. Quando automaticamente assumimos que o outro “é assim”, não damos a oportunidade dele ser diferente, tornando-o limitado e menor.

 

Concordo, em qualquer tipo de relacionamento é muito chato quando alguém te rotula, muitas vezes sem te conhecer a fundo, já assumindo que você é desse jeito e ponto.

 

Mas pior que rotular o outro, é rotular a si mesmo. Tem gente que veste um escudo contra tudo e contra todos e bate firme no peito: “é que eu sou assim”. “Eu sou difícil”. Amigo, peraí. Ser “fácil” não é uma característica, é uma decisão. Enquanto você se escorar nesse seu ~jeitinho difícil~ como desculpa pra mal criação, vai continuar sendo uma pessoa difícil e… sozinha.

 

“Você é aquilo que ninguém vê. Uma coleção de histórias, estórias, memórias, dores, delícias, pecados, bondades, tragédias, sucessos, sentimentos e pensamentos. Se definir é se limitar. Você é um eterno parênteses em aberto, enquanto sua eternidade durar.” (Machado de Assis).

 

“Não gosto de gatos”. “Odeio correr”. Essas são algumas frases que eu, dona de duas gatas e praticante de corrida, já disse por aí.

 

Hoje, penso duas vezes antes de afirmar certezas absolutas sobre mim mesma, porque elas simplesmente não existem. Reconheço que o ser humano é mutável, adaptável, e deve se esforçar ao máximo pelas mudanças que façam o bem – para você e para os outros.

 

É claro que temos características inatas, que fazem parte da nossa personalidade, e que devemos carregá-las conosco. O problema é quando essas características incomodam outras pessoas, tornando-as reféns de nossos defeitos.

 

Se for pra não mudar, que sejam suas características boas.

 

Se for pra dizer “eu nunca”, que seja para sentimentos negativos.

 

Se for pra se apegar a rótulos, que sejam os de cerveja.

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