Alô?

Se você nunca perdeu o controle emocional com atendentes de telefone, ou você é um anfíbio ou você não tem Net.


Está comprovado: todos os seres da espécie humana que não são surdos já tiveram vontade de bater em um atendente telefônico, seja ele da Net, do banco, da operadora de telefone ou do delivery.


Sim! Até o delivery tem vacilado comigo, cara. O último que pedi eu tive que ficar horas no telefone explicando QUE EU SÓ QUERIA COMER.


– Como você ficou sabendo da nossa loja? – Eu só quero comer – Qual é a loja de sua preferência? – Eu só quero comer – Poderia estar acrescentando batata gigante mais refrigerante mais seguro de vida? – Eu só quero comer


Isso é um delivery ou um questionário do IBGE? Liguei pro Giraffone e caí no Censo 2016?


Mas ok, delivery a gente perdoa. “Tudo vale a pena quando a batata não vem pequena”.

O bicho pega mesmo é quando você tem que resolver algum problema por telefone. AÍ, MEU AMIGO, só sobrevivem os fortes. É onde os fracos não têm vez.


Só sobra você e Judite.


Essa manhã, por exemplo, tive que ligar para a central de atendimento do meu cartão de crédito para tentar resolver uma cobrança indevida. Demorei horas pra ser atendida, foram me passando de setor pra setor. A impressão que dá é que do outro lado da linha está rolando algum tipo de batata quente: perde quem morrer com o telefone na mão.


Quando você finalmente chega ao setor certo, é como se o avião tivesse pousado depois de uma longa viagem. Você calmamente vai tirando seus cintos, se despindo de qualquer sentimento negativo que possa ter sentido durante a viagem. Você chegou ao seu destino, agora é só curtir, certo?


Errado. Muito errado. Você descobre que o pesadelo estava só começando.


A atendente já chega mal humorada, sem a menor vontade de te ouvir. Ela te dá uma resposta padrão (claramente lendo isso em algum lugar), que nada tem a ver com o seu problema.


– Senhora, isso se deve a ___________________ (insira aqui alguma resposta padrão sem sentido).

– Fulana, eu não compreendo o que você está falando. Você consegue me explicar com outras palavras, ou me mostrar o que isso tem a ver com o que eu te passei?

– Senhora, quem não está compreendendo é a senhora. Isso se deve a ____________________ (repita aqui a mesma resposta padrão estranha).


BANG! Dei meu tiro certo em você (mentalmente).

Desligo.


Eu sei que devem existir atendentes maravilhosos, que gostam do que fazem, que insistem em um bom relacionamento com o cliente. Mas, infelizmente, eu nunca caí no setor deles. ONDE É QUE VOCÊS SE ESCONDEM, AMIGOS?


Para todos os que já me atenderam pessimamente nessa vida, aqui vai meu apelo: eu sei que não é fácil, que tem gente chata, mal educada, que não merece, mesmo, um bom atendimento. Mas na maioria das vezes, as pessoas só querem que vocês tenham um pouquinho mais de boa vontade, de compaixão, de empatia. Sim, empatia! Se colocar no lugar do próximo não é só em níveis extremos como de quem está passando fome, necessidades, ou sei lá… É pensar que aquele problema ali poderia ser com você.


Como é que vocês conseguem dormir sem peso na consciência? “Yes! Hoje eu acabei com o dia de mais uma pessoa!” “Uhu! Hoje eu fiz mais uma vítima perder a manhã!”. “Bingo! Consegui não resolver mais um problema!”.


Será que vocês sabem a diferença que podem fazer no nosso dia? O mal estar que vocês nos causam quando nos tratam com descaso? Ou a felicidade que vocês nos proporcionam quando nos atendem com boa vontade e solucionam nossos problemas?


Vocês têm a chance, todos os dias, de mudar o dia de alguém. Mas preferem nos transferir para outro setor.

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