Amigo de infância

11.11.2015

 

 

Ter um amigo de infância é nunca perder a conexão com o passado.

 

Minha amiga de infância é a melhor apresentadora do Globo Repórter da minha vida: ela sabe de onde vim, como sou, o que faço e qual chiquitita eu gostaria de ser.

 

Ter um amigo de infância é ter alguém que te acompanhou em todos os momentos da sua vida: os tristes, os felizes e os vergonhosos, que são maioria absoluta.

 

Com nosso amigo de infância, não enviávamos e-mails, trocávamos papeis de cartas. Não mandávamos whatsapp, ligávamos em seu telefone fixo. Não postávamos foto com ele no Instagram, revelávamos aquela foto do colégio.

 

Era tudo mais complexo, e tão mais simples.

 

Só complicava quando aquela mola colorida dava nó.

 

Ter um amigo de infância é ver fotos do passado e sentir: vergonha, vontade de rir, vontade de chorar, de queimar aquela roupa, de voltar no tempo e de viver aquele dia de novo.

 

Ter um amigo de infância é acompanhar todas as suas conquistas: o primeiro celular, a nota boa no colégio, a formatura da faculdade, o primeiro emprego, o dia que ele aprendeu dirigir e o dia que ele aprendeu a tomar remédio em comprimido.

 

Na casa da minha amiga de infância, tinha um cheiro que era próprio de lá, que eu adorava sentir.

 

E no quarto da minha amiga de infância, tinha um pôster do Vavá do Karametade, que eu achei interessante comentar.

 

Os pais da minha amiga de infância são meus pais também.

 

Ter um amigo de infância é ter alguém pra te dizer, quando você sai dos eixos: ei, você não é assim.

 

Minha amiga de infância sabe mais sobre mim do que eu mesma.

 

Ter um amigo de infância é reconhecer nele a sua própria essência.

 

É saber que você vai mudar, ele vai mudar, as coisas vão mudar. Mas o sentimento entre vocês, nunca.
 

 

Please reload

© 2023 by Salt & Pepper. Proudly created with Wix.com