Enfim, casei!

21.10.2015

 


Escrevo este texto com o mesmo frio na barriga que me acompanhou no dia 22/08.

 

A responsabilidade de ser fiel ao que me aconteceu, ao que eu senti, e reviver todas essas emoções dá um nó gostoso e estranho na barriga.

 

A noiva acha que vai ter um dia de princesa: ser acordada por andorinhas cantando, sinos tocando, atores da globo cantando hoje é um novo dia, de um novo tempo, que começou.

 

Mas a verdade é que é só mais um dia em que você acorda remelenta e com uma espinha premiada. Pesquisas apontam que 5 a cada 5 eventos importantes na minha vida serão presenteados com uma espinha emocional (acho que espinhas também têm coração).

 

O dia foi fluindo normalmente, para o resto do mundo, e estranhamente estranho, pra mim. Leve, feliz e tranquilo, mas estranho como há de ser quando chega o dia que há tanto você esperava. A ficha vai caindo e a vontade é de entoar o seu mais belo EITA PORRA.

 

Cheguei ao salão tranquila, saí de lá um poço de nervos. Olhar no espelho e ver que sua cara de banana deu lugar a uma cara de noiva, toda trabalhada no laquê, é estranho.

 

Eu, minha mãe e meu pai fomos em direção ao lugar da cerimônia com aquela carinha de “estamos agindo naturalmente” enquanto não fazíamos ideia do que estávamos fazendo. Ninguém sabe ao certo o que está fazendo nesse dia, você só respira e vai. O motorista escutava música gospel bem alta e eu só pensava SEM OR faça com que dê tudo certo.

 

Quando chegamos ao local, fizemos uma sessão de fotos minhas me arrumando, algumas curiosas do tipo: interage com o cabide, sensualiza com o espelho, conversa com o sapato,  etc.

 

~E você, já interagiu com o seu cabide hoje?~

 

Mas bom mesmo foi fazer uma sessão de fotos no jardim, que me rendeu FORMIGAS.ETERNAS.NO.VESTIDO.


Era formiga no véu, formiga na barra, formiga na saia, e eu sinceramente acho que casei com uma formiga no fiofó.

 

O momento que antecede a entrada na igreja é uma coisa de louco. É frio na barriga, é coração acelerado, é falta de ar, é muita, mas muita emoção. Acho que nunca senti nada nem parecido com os sentimentos que tomaram conta do meu peito naquela hora. Eu olhava pro meu pai e via que pra ele a coisa não estava muito diferente: estávamos juntos, ali, de mãos dadas, corações dados, almas dadas. Entregues àquele momento tão forte.

 

A porta se abriu e eu o vi. O motivo de tudo aquilo. O noivo. O meu noivo, aquela criatura de sorriso grande e olhinhos brilhosos, aquele pedaço de mau caminho vestido de terno, aquele bombom recheado de gostosura.


Com ele ali, nada mais importava: se eu ia cair (mentira, isso importava sim), se a banda ia errar, se o padre ia dormir, se os votos iriam falhar. Eu sabia que com ele estava em lugar seguro. E que ia dar tudo certo.


E deu! Meu maior medo era desmaiar na cerimônia – daí você já vê o meu controle emocional – , e eu não desmaiei! Fiquei lá, vivona, em pézona, firmona. Até o final. Emocionada em todos os momentos, encantada com a experiência linda que é viver aquilo ali.

Queria conseguir guardar a energia que eu senti naquele altar, naquele dia, em um potinho. E tê-la comigo pra sempre.

 

O abraço do meu pai, o olhar cúmplice da minha mãe, o choro do meu sobrinho, a alegria da minha sobrinha, o carinho dos pais do noivo, o caminhar dos avós dele até o altar… Ai, meu coração!

 

No fim da cerimônia, jantamos juntos, eu e ele, como marido e mulher. Enquanto o garçom não chegava, eu já cantava sozinha “adeus dieta velha, feliz bacon novo, que tudo se engordurize no prato que vai chegar”. Comi um prato com a alegria de quem encerra uma temporada de saladas e engrena no arroz com macarrão e batata, o famoso COMBÃO DE CARBOIDRATO (sei que nesse momento eu deveria enfatizar o romantismo que foi nosso jantar a dois, e sim, foi maravilhoso, mas comer foi bom demais).

 

Daí em diante tivemos a sessão de fotos com família e padrinhos, que é boa pra encontrar as pessoas que você ama e abraçá-las como se não houvesse amanhã (porque tirar foto mesmo é uma desgraça, né? Só queria sair voando dali e aterrissar na pista de dança, como uma ave de rapina).

 

A festa foi acontecendo e eu tava num nível de emoção tamanho que cheguei a chorar de gratidão, sozinha, na pista de dança (e devia estar tocando sei lá, Wesley Safadão).

 

Aliás, gratidão foi a palavra do dia. Eu olhava tudo a minha volta, aquelas pessoas tão queridas, muitas que vieram de longe pro casamento, outras que estão sempre por perto e ali mais próximas do que nunca, as famílias, os amigos, o noivo. Tudo ali me fazia sentir uma enorme vontade de agradecer por estar viva, por ter essas pessoas tão especiais na minha vida, por ser tão abençoada.

 

Aquela história de que “a felicidade só é real quando compartilhada” parece mesmo ser verdade. Dividir nossa alegria com quem mais amamos é a melhor parte do casamento.

 

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