Sobre a eterna busca por nós mesmos

O que eu gosto? O que não gosto? Quem eu sou? O que me faz feliz? Sábado, no Globo Rural.


Costumamos questionar a nossa missão aqui na Terra, nos perguntando por que viemos e o que fazemos. Mas, de forma geral, todos deveríamos ter uma missão em comum: viver de acordo com o que somos. Se formos fieis ao que gostaríamos de ser (e não ao que os outros gostaríamos que fôssemos), missão cumprida.


Difícil, né?


Seja na meditação – e a busca pelo “eu” interior – ou na religião, a compreensão de quem verdadeiramente somos representa nossa maior conquista. Segundo o livro “Quem me roubou de mim”, a teologia cristã compreende que a realização humana é o mesmo que a Revelação de Deus em nós mesmos: “Quanto mais conscientes do que somos, fazemos e podemos, muito mais próximos estaremos da realização para a qual fomos projetados” (Pe. Fábio de Melo).


Quando falamos em fidelidade, ela quase sempre está associada a nossa relação com o outro. Raro é pararmos pra pensar se estamos sendo fieis a nós mesmos: se existe uma conexão entre aquilo que a gente pensa e sente e aquilo que a gente é. Essa conexão é a base para nossa realização como ser humano.


Não estudo sobre o assunto, não tenho o menor conhecimento científico para embasar meu texto. O que me faz escrever sobre é uma apreciação enorme pela vida, e por tirarmos o melhor proveito disso aqui.


Nessa eterna busca por nós mesmos, percebo que há duas grandes dificuldades pelo caminho: a primeira é esse processo de auto-conhecimento, é entender, de fato, quem somos. Olhar para dentro e compreender nossos valores, prazeres, sentimentos, enfim, nossa personalidade como um todo. E a segunda dificuldade é abrir mão da constante necessidade de aprovação social. Na maioria das vezes, pautamos nossas ações pensando na aprovação do outro, na opinião do outro, em agradar o outro. Desprender-se dessa luta é um exercício cruel e difícil, mas libertador.


Colocarmo-nos em primeiro plano. Entender que pouco importa quanto ganhamos, ou o que vestimos. O que vale nessa vida (além da “vida que se leva”) é a nossa realização como pessoa, que só acontece quando somos nós mesmos. Quando a gente “se assume”, só atrai coisa boa.

De alguma forma ou de outra, todo mundo precisa sair do armário.

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