Saudade de gente que não sabe

02.07.2015

Ultimamente (ou: com o advento do Facebook) tenho ouvido tanta gente falar sem ter certeza do que está dizendo, só pra registrar sua opinião cult, que escutar um eu não sei está mais difícil que um eu te amo.

 

Pessoal, não é pecado não saber. Não é pecado não ter estudado ou lido sobre um determinado assunto. Nem permanecer calado quando você não tem o que acrescentar. Feio é quando a gente fala besteira pra poder dizer: ei, sou foda.

 

Veja bem, eu não entendo, por exemplo, de economia. É triste saber pouco sobre economia? É. Seria importante eu saber mais sobre o tema? Sim. Eu nunca entendi direito o que é um superávit? Não. Eu vou me arriscar a falar sobre o tema na internet? Nunca.

 

Falar é bom, expressar nossa opinião é maravilhoso. Mas falar merda tem limite.

 

Vamos ao caso do Zeca Camargo, que recentemente fez analogia do Cristiano Araújo com livros de colorir (ainda tentando entender a relação), diminuindo o “nível cultural” (entre aspas por motivos de repulsa dessa expressão) do Brasil. Querido Zeca, o dia que você conhecer melhor o país em que vive, certamente vai pensar duas vezes antes de fazer um discurso tão elitista e pobre.

 

Acho muito divertido que alguém que servia olho de cabra em No Limite esteja com essa repulsa toda à “cultura popular”, à música sertaneja, ao livro de colorir (!!!). Zeca, precisa ter vergonha de se assumir “do povo” não. Sou mais você apresentando o Falha Nossa que escrevendo. E tá tudo bem, a gente ama o Falha Nossa.

 

Agora vamos a outro assunto que também ~polemizou~ a internet: a legalização do casamento gay em todos os Estados dos EUA. Você que se manifestou contra: você é gay? Você quer se casar com um gay? Sendo assim, você entende sobre o que é ser homossexual, as suas dificuldades e barreiras? Então pare de falar sobre o que você não faz ideia, amigo. Se for pra falar do que você não vive, que seja de forma altruísta, porque senão pega mal pra você. Quando a gente só sabe legislar em causa própria, fica escrito em nossa testa: egoísta.

 

O casamento gay não é sobre você. Nem sobre a sua família.

 

Mas estamos tão preocupados em falar, falar, dar pitaco, que pouco se escuta, se lê ou se sente. Achamos que todas as causas do mundo dizem respeito a nós.

 

A liberdade de expressão existe e você está no direito, sim, de ter suas convicções, fundamentadas na sua religião, criação, família, ou o que quer que seja. Mas quando essas convicções interferem no direito do outro, por que não repensá-las?

 

É homem diminuindo a causa do feminismo, sem ter um pingo de noção do que é ser mulher. É gente inferiorizando o Brasil/brasileiro, sem nunca ter colocado o pé lá fora, com olhar crítico, pra comparar. Pessoas diminuindo causas alheias, porque não tratam de coisas que elas julgam mais importantes.


Repito: nem tudo é sobre você.

 

Vamos tentar um pouquinho mais de embasamento quando formos botar a nossa carinha bonita na internet?

 

Especialmente em casos que nossa opinião pode ofender ou prejudicar outras pessoas.

 

Sinto saudades de gente que bate forte no peito e diz, com classe e elegância: não sei.

 

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