Case-se com alguém que revise seus textos

Pabblo, meu noivo, é quem revisa meus textos.


Pabblo é quem lida com o meu “Te enviei o texto” seguido de “O que você achou, posso publicar? Ainda não leu? Pabblo*, eu te pago pra quê?”.


*Pabblo não recebe para ler meus textos. Mas deveria, porque tem muita paciência quando dou piti pra tirar uma vírgula. “É como se tivesse tirando um B do seu nome”, digo, brava, mas sabendo que devo ouvi-lo. Pabblo é um puto que não erra.


Mas Pabblo está viajando. E não revisará este texto.


E cá estou eu, perdida no mundo das letras, tomando um chopp com o acento circunflexo e me perguntando se tem vírgula nesse carai ou não.


Aliás, tá aí uma vantagem do Pabblo não revisar desta vez: posso falar palavrão, que ele não vetará. Ou seja, isso aqui vai dar uma encaralhada.


(Aproveito também para iniciar o próximo parágrafo sem conexão alguma com o anterior, algo que Pabblo vetaria. Este é o texto mais vidaloka que já fiz).


Eu sempre tive birra desses textos de “Case-se com alguém que…”, porque 1) ninguém precisa casar e 2) se casar, a única máxima que importa é esse alguém te fazer feliz.


Mas, se for pra falar por mim, e o que espero de um relacionamento, eu diria: case-se com alguém que revise seus textos.


Case-se com alguém que se interesse pelos seus projetos pessoais, mergulhe de cabeça nos seus problemas e faça dos seus objetivos os dele. Case-se com alguém que se envolva. Se envolva com suas ideias, suas histórias, seus amigos e sua família.


Case-se com alguém que te escute. Que preste atenção, que te olhe, que te conheça. Case-se com alguém que decore os nomes dos seus colegas de trabalho, mesmo sem conhecê-los. Alguém que faça do seu mundo tão importante quanto o dele.


Case-se com alguém que torça por você, que vibre junto, que incentive. Que não ache suas ideias malucas, não te bote medo de tentar, e te ajude a começar.


Case-se com alguém que jogue no seu time, pois o que mais vejo nas relações humanas (seja de namorados ou amigos) é a banalização do outro e a supervalorização do eu. Eu sou o centro, a minha vida é que importa, prefiro mexer no telefone a te escutar, o que era mesmo que você estava falando?


Case-se com alguém que revise seus textos, acentue sua melhor parte, bote ponto final na sua tristeza e esteja com você em todos os seus parágrafos.

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