Eu me declaro inocente

14.11.2014

Se você é como eu, o umbigo podre do mundo, vive na paranoia que toda cagada que acontece é culpa sua. Se alguém grita “quem estragou a cafeteira?”, já sentimos um frio na barriga estranho, mesmo sem nunca ter usado a cafeteira.

 

Eu não sei se vocês sabem, mas todas as indiretas do Facebook são pra mim.

 

Se estou passando e um grupo aleatório começa a rir, já dou aquela olhada discreta pra ver se não estou com algum tipo de bosta na face.

 

Se alguém me fala: “precisamos conversar”, já começo a bater a cara na parede tentando lembrar se eu andei errado eu pisei na bola troquei quem mais amava por uma ilusão.

 

Esse sentimento de culpa exagerado e sem sentido não é (só) paranoia minha, mas fruto da necessidade de aprovação que nossa sociedade imprime cada vez mais ninois.

 

Estamos todos buscando a perfeição, já que no instagram todo mundo é gato, magro, feliz e come brigadeiro de whey.

 

Mas eu resolvi abrir o armário e vestir o meu mais belo foda-se. Vão ter dias em que vou sair do banheiro com papel higiênico no sapato, sim. Vão ter frases que não gostaria de ter dito, sim. Vão ter reuniões em que meu nariz esteve com meleca, sim.

 

Fiz merda, não nego, peço desculpas assim que puder.

 

Por mais que a gente se esforce, algumas coisas fogem do nosso controle e nos deixam suscetíveis a falhas. Mas enquanto eu for honesta, respeitar os outros e praticar o bem, eu me declaro inocente.

Estamos ficando cada vez mais ansiosos e neuróticos porque não nos permitimos errar.

 

Se você que lê este texto está preocupado com o que fez, falou ou quebrou (risos), saiba: a vida é um maravilhoso conglomerado de cagadas. Use os erros a seu favor e cresça com eles. Como diria Aristóteles: é fazendo merda que se aduba a vida.

 

Não se cobre tanto.

 

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