As eleições e o surto coletivo

09.10.2014

Dizem que quando o cidadão entra para a política, ele é corrompido pelo meio e se transforma.


O que eu não sabia é que o papel de eleitor também nos transformaria.

 

Senhoras e senhores, apresento-lhes a nova comédia da sessão da tarde no Facebook: Deu a louca nos eleitores.

 

Algumas conversas que venho testemunhando igualaram as eleições à novela das 9, em que o mocinho é mocinho e o vilão é vilão: não há brechas para meio termos, ponderações e equilíbrio. Ou vai vencer a Helena, ou a Nazaré. A disputa está entre o bem e o mal, o correto e o errado, a solução ou o desastre, o amor ou o cocô.

 

Você vai votar na Ruth ou na Raquel?

 

Pessoal está mais pra Tonho da Lua.

 

Não se reconhece os feitos do outro partido, muito menos se enxerga os erros do seu.

 

Escolhe-se um lado, mas esquece-se de conhecer o outro.

 

Devemos, sim, nos expressar, debater livremente sobre aquilo que pensamos e queremos. Mas tem gente que trata seu candidato como “agora eu era herói, e meu cavalo só falava inglês…”.

 

Abriram mão do respeito e da tolerância para exprimir um discurso de ódio com aqueles que, vejam só que absurdo, pensam diferente deles.

Parece que só há um voto correto: o seu. Isso é democracia?

 

Que você seja de esquerda, direita, deu em cima ou deu embaixo na dança do tchaco, mas continue se interessando por opiniões opostas às suas. E estudando, lendo, se informando.

 

Chega de “coxinha”, “petralha”,  ou de qualquer generalização infeliz sobre os eleitores de cada candidato. Aliás, existe algum caso em que a generalização não é infeliz?

 

Argumente, defenda, exponha os podres de quem você quiser.  Aliás, se tem uma coisa que temos de sobra, é podres para apontarmos.

 

Mas afronte o candidato, não seu eleitor.
 

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