Por trás desse teclado também bate um coração

14.08.2014

A morte de Eduardo Campos e sua repercussão nas redes sociais me fez escrever, de uma vez por todas, sobre algo que sempre me incomodou: a falta de empatia no mundo virtual.

 

A impressão que tenho é que diante do teclado, o indivíduo perde o filtro, a vergonha e seu coração. Parece-me uma terra sem lei onde tudo é permitido, inclusive fazer piada sobre o mais triste dos acontecimentos, que é a morte.

 

Sou defensora de se levar uma vida leve, bem humorada, pró-zoeira. Bora fazer piada de 7×1, do time rebaixado, do tombo do Sílvio Santos. Mas com morte não se brinca.

 

Se devemos nos colocar no lugar do outro, sempre, por que na internet achamos que não há sentimentos, não há família, não há dor?

 

O que vi hoje, infelizmente, é reflexo do que vejo sempre por aí. O teclado como gatilho de frases maldosas, que sequer imaginam que do outro lado da tela tenha gente como a gente, que sente, chora, que sofre.

 

Não adianta falar mal das piadas de mau gosto de hoje, quando você compartilha coisas como “Triste notícia para a música brasileira: Joelma foi encontrada viva em seu apartamento”.

 

Se você costuma fazer esse tipo de postagem, por favor, pare. Se por trás desse teclado também bate um coração, mude. Entenda que dinheiro e sucesso não deixam ninguém mais forte. Ricos, famosos e políticos possuem sentimentos iguais aos seus. Ninguém está imune à dor.

 

Se você prega “amar e respeitar o próximo”, saiba que o próximo da vida real é o mesmo da internet. A regra também vale lá.

 

A internet é coisa linda de Deus e me faz ver coisas maravilhosas todos os dias. Mas precisamos parar e pensar se não estamos deixando para trás nossos valores em troca de 05 segundos de fama virtual.
 

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