Eu disse sim

31.07.2014

Eu e Pabblo somos amigos há 11 anos, já que estudamos na mesma escola. Mantivemos contato desde então, mas nossa relação sempre foi de amizade*

*eu poderia contar que Pabblo pediu para ficar comigo há muitos anos e eu neguei, mas vou omitir este fato da nossa história preservando o ego do rapaz.

 

É engraçado como as pessoas certas aparecem nas nossas vidas sem necessariamente estarem carregando uma placa de “sou a pessoa certa”, não é mesmo? E aquele amigo que te acompanha há anos pode virar o seu futuro marido.

 

Já na faculdade, um dia esbarrei com o Pabblo na lanchonete (solteiros sim, magros nunca). Conversamos um pouquinho e ele percebeu que estava sem dinheiro para pagar o salgado (sozinhos sim, pobres sempre). Pediu dois reais emprestados e eu, num gesto humanitário e de compaixão, emprestei. Quando ele foi embora, a amiga que estava comigo me disse: “esse menino gosta de você!”. E eu: “txêdisêbesta, menina, somos só amigos!”.

 

E desde então eu perdi dois reais, mas ganhei o melhor namorado do mundo. Pabblo tem hoje os meus dois reais e o meu coração*

*Pabblo, se você estiver lendo este texto, favor me pagar.

 

Namoramos por 5 anos e 6 meses e ficamos noivos em 14 de junho de 2014. O pedido aconteceu em Pirenópolis, cidade em que costumamos comemorar as datas especiais (a dessa vez era o dia dos namorados). Eu não desconfiava de nada, até porque ele passou metade do dia dormindo na piscina da pousada. Pabblo, que se diz ansioso, jamais dormiria antes de me pedir em casamento, certo?

 

Errado. Aparentemente, noivar dá sono.

 

Nesse dia, todos os assuntos da pousada giravam em torno de casamento. Ficamos amigos de alguns casais e eles diziam: “quando é que sai o casamento, hein?” e eu e o Pabblo no discurso habitual de somos jovens/só depois do mestrado/ainda tem tempo pela frente/temos que juntar dinheiro/insira aqui a sua desculpa preferida.

 

Quando chegou a noite, nos arrumamos para sair pra jantar. Pabblo vestiu um blazer que nunca usava e eu achei fofo: ui, blazer?,  ao que ele instantaneamente pensou: ela já sabe de tudo. Fico pensando que enquanto eu calmamente decidia se era melhor passar base em pó ou líquida, ele estava ali, imaginando o nosso futuro – e conferindo 300 vezes se o raio do anel estava mesmo no bolso.

 

Chegamos à rua dos restaurantes e eu senti a mão de nervoso do Pabblo, que mede aproximadamente 2 graus negativos. Ele começou a falar que aquele lugar significava muito pra gente, e nessa hora eu apertei o off do mundo real e embarquei na sensação mais frio na barriguística da vida. Ele fez um discurso lindo, que eu assimilei 1/10, porque na maior parte do tempo eu pensava: “está acontecendo, está acontecendo, está acontecendo”. Foi quando ele ajoelhou no chão no meio da rua (!!!!) e disse: quer casar comigo? Nessa hora eu apertei o on da torneira ocular e comecei a chorar (não do tipo princesa fofinha chorando, mas tipo bebê catarrento). Chorei, chorei, chorei.

 

As pessoas da rua, que viram tudo, começaram a gritar e bater palmas. Escutei um gritando “até que enfim”, outro “tira foto, tira foto!”, outra “ai que lindo!” “por que você não me pediu assiiim?”. Por um segundo, Pirenópolis foi nossa.

 

E eu disse sim.
 

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