A copa do mundo ainda é nossa

A internet virou palco de teses de mestrado sobre a partida de terça: por que levamos sete gols? O que os sete gols representam? O que eles comem? Onde moram? Por que surgem tão rápido? A que horas eles acabam?

O que era pra ser uma partida de futebol virou explicação para a situação socialeconômicapolíticaculturalalimentíciaruralgoldaalemanha brasileira.


Universidades já estão lançando as matérias Introdução aos sete gols; Teoria do apagão 1 e 2; Alemanha: do holocausto aos campos.

Também resolvi dar a minha contribuição para a zoeira na internet e ver se descolo minha pós graduação em Teorias de 08 de julho.

Minhas palavras aqui são que nem as do Felipão: não valem absolutamente nada. Sou só mais uma entre os milhares de técnicos que nasceram entre os torcedores brasileiros, tentando, como diria Julião, explicar o inexplicável.


A gente achou que essa copa seria um fiasco e que o Brasil seria campeão. Pois a copa foi a #copadascopas e o Brasil saiu humilhado nas semis. Foi triste, pareceu pesadelo, deu vontade de voltar no tempo, foi cruel e certamente ficará marcado (“a incrível geração que viu o Brasil tomar de 7”).


Mas o que essa copa me proporcionou, não tem sete gols que apaguem. Ver a imprensa internacional falando bem deste país que tanto amo, espiar as outras seleções (Alemanha, apesar de tudo, sigo te amando) curtindo as praias e falando bem do nosso povo, arrepiar com as bandeiras expostas nas sacadas e com os gritos de “Brasil”, sentir que não só o campeão, mas o amor pela seleção brasileira voltou, ir à loucura a cada gol do Brasil, transformar esse gigantesco evento esportivo na copa da zoeira, ser o dono da melhor copa de todas (não sou que falo, é o povo que diz!).


A taça já foi, mas a copa do mundo ainda é nossa. Porque com brasileiro, amigo, definitivamente não há quem possa.


No meio do jogo Brasil x Alemanha eu já havia recebido mensagens como “pensei que era replay e era outro gol”, foi uma piada atrás da outra. Nós somos o melhor povo do mundo, que sabe rir de si mesmo, que arranca sorriso onde só deveria haver choro. Eu convido a quem diz que “o pior do Brasil é o brasileiro” gentilmente a se retirar e ir procurar sua turma em outro país, porque não vejo sentido em ficar aqui falando mal de si mesmo.


Sábio é quem leva a vida com bom humor, mesmo nas derrotas. E nisso o Brasil ganha de goleada.

Por isso, quando digo que sou brasileira com muito orgulho e com muito amor, não me refiro apenas ao único pentacampeão do mundo, mas sim ao país mais lindo, das paisagens poéticas, do povo mais engraçado, hospitaleiro e alegre que existe.


Por isso, mesmo quando levo 7 x 1 em uma copa que sonhava em ser campeã, eu ainda tenho motivos para erguer minha cabeça, meter o pé e ir na fé, mandar essa tristeza embora.


Tem muita coisa errada no Brasil, tem muita coisa errada no futebol. Mas não vamos misturar as duas coisas, e nem generalizar termos como “malandragem” ou “jeitinho brasileiro”, porque estamos sendo injustos com nós mesmos. O comportamento dos jogadores em campo não me representa, não representa o Brasil e não representa nem a eles mesmos, espero eu.


A taça nós deixamos escapar, mas a #copadascopas é nossa.

© 2023 by Salt & Pepper. Proudly created with Wix.com