Sobre o amor

05.06.2014

Dia dos namorados chegando, piadinhas de “o dia é dos namorados, mas a noite é dos solteiros”, idem, cantadas como “hoje aprendi na aula de português que agente tudo junto é espião, e a gente separado é uma tristeza”, também. O amor está no ar.

 

Eu não sei escrever sobre o amor, ainda mais com a delicadeza e a doçura que o assunto requer. Também não consigo discorrer sobre a metade da laranja, fico com vontade de comê-la. Minha delicadeza de elefante em loja de cristais não dá muita vazão à poesia.

 

Mas isso não significa que eu não seja admiradora do amor. O amor em todas as formas, de casais, de irmãos, de mulher para mulher (marisa), de amigos, de pais. Amor ao bicho de estimação, ao copo de cerveja, ao trabalho, e ao próximo, sempre.

 

O amor e a intimidade andam juntos. Amar é saber que ela prefere coca zero, e ele não vai querer gelo nem limão. Ela não assiste a filmes de terror, e ele morre de medo de cachorro. Ela não gosta de ketchup, ele não pode com pimenta. Ela adora caminhar no parque, ele é avesso à internet. Ela vive no Mcdonalds, ele não vive sem chocolate. O quarto dela é uma bagunça, o carro dele é guarda-roupas.

 

Quem ama dá as mãos, soma, multiplica, divide, mas nunca subtrai. Quem ama segura a barra junto, veste a camisa, joga no mesmo time.

Esqueça a graviola, o alface, a beterraba. O que previne doenças é o amor. Quem perdoou o pai, quem não guardou rancor do amigo, quem admira o irmão. Quem ama, nas diversas variações do amor, está cheio de vitamina C no coração.

 

O amor e a admiração também andam juntos. Ela não entende como ele consegue estudar tão concentrado, ele fica bobo quando ela faz todo mundo rir. Ela se espelha no modo como ele trata a mãe, ele pegou um pouco da sensibilidade dela. Ela queria ser dedicada como ele, ele queria ser leve como ela. Juntos, eles se transformam no melhor que eles podem ser.

 

Quem ama deixa estampado nos olhos, não esconde o sorriso, passa frio na barriga e calor no coração. E começa a falar coisas bregas, como vocês podem ver.

 

Há quem ame calado, há quem tenha medo do amor. Medo do amor? Vá ter medo de briga, de trânsito, de montanha-russa, de inflação, da balança. O amor às vezes dói mais que ralar o joelho no asfalto, é mais cruel que domingo à noite, é mais injusto que juiz ladrão. Verdade. Mas evitar o amor, em contrapartida, é tão sábio quanto sentar no prego.

 

Como diria a campanha publicitária que vi por aí: “Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma a quem você ama”.

 

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