Atenção, passageiros

A copa está chegando (vai ter sim, parece), o Brasil está em foco, estamos na mídia, nosso fuleco está à mostra. Com isso, nossas atenções se voltam para a seleção italiana infraestrutura do turismo, o transporte e os aeroportos locais. E o pf do Mcdonalds.


O debate sobre a copa em si é polêmico feito mamilo e eu deixo para blogs mais politizados que o meu; mas falar sobre aeroportos e viagens de avião muito me interessa. Falar jabulani também. JabulââÂÂÂniiii.

Outro dia estava na dúvida se trocava de carro, mas achei melhor investir a grana e comprar dois pães de queijo no aeroporto. Tem que ver com os gringos se eles vão preferir comprar ingresso para os jogos ou um pedaço de bolo no Galeão.


Agora me diga: quem você é na fila do embarque? Você é aquele exu que enquanto a moça fala “atenção passageiros do voo G…” já levantou e está com a testa colada na porta de vidro pronto pra embarcar? Se sim, volte duas casinhas e tome um chopp antes de viajar, amigo, essa sua ansiedade ainda vai te fazer mal. Ou você é um cão farejador em busca de tomadas? Ou aquele tenso que carimba as privadas de todas as salas de embarque?


No avião, costumo ter a sorte de sentar ao lado do cara com o diâmetro da minha mesa de jantar: se ele espirrar o cinto explode. Nada contra os gorduchos, eles devem sofrer mais que eu nessas poltronas, mas é que eu atraio gordo mais que bacon.


E gordo costuma ser aquele cara que come 12 tortuguitas antes de embarcar e é adepto do “eu peido sim e estou vivendo, tem gente que não peida e está morrendo”, especialmente se tiver criança na poltrona da frente pra botar a culpa. Ou seja, o pior que pode te acontecer numa viagem de avião é sentar ao lado do gordo e atrás de uma criança, que além de chorar e brincar com joguinhos do Ipad em volume máximo*, o mini demo vai dar vazão aos gases do Seu Barriga. É o famoso passeio open bar de pum.

* Se você viajou com uma mãe que não deu fone de ouvido pro filho ou desligou o som daquela desgraça de Ipad, DENUNCIE AQUI! Seu nome e identidade serão preservados.


Sempre peço pra ficar na janela, assim consigo encostar a cabeça na parede e dormir. Quando sento no meio, fico desesperada tentando achar uma posição: abro a mesinha do lanche e pouso nela minha testa, ou levanto o apoio do braço e o agarro como um neném, ou durmo sentada e minha boca abre criando aquele espacinho ideal para segurar um palmito, e no final eu já estou: POR QUE, DEUS, EU NASCI COM CABEÇA? A poltrona do meio não é amor, é cilada.


O momento mais intrigante de uma viagem internacional é a hora do lanche, em que as aeromoças começam a desfilar com os carrinhos, o cheiro de comida circula na aeronave e a obesa que mora dentro de mim passa a ficar ligada em qualquer movimento suspeito. Já abro logo a mesinha pra deixar claro que estou pronta pro abate, começo a olhar as refeições da galera pra ver o que está rolando, fico pensando na desgraça que vai ser se interromperem o lanche por causa da turbulência.


Escuto de longe as três palavrinhas que abalam meu emocional: frango, carne ou massa?


Silêncio. Dúvida. Crise existencial. Questionamento. “Só sei que nada sei” foi dito por Sócrates no voo direto da TAM pra Miami, quando não conseguia se decidir entre frango ou carne. Não estou emocionalmente preparada para uma decisão dessas na minha vida. Simplesmente não estou. Que Deus tenha piedade de mim e me faça escolher a refeição certa. Se eu escolher carne, que a massa esteja ruim e o frango com cartilagem. A partir do momento da escolha, que eu não olhe mais pra trás (nem para os lados comparando as refeições) e siga em frente, certa de que era pra ser carne.


Se eu não conseguir me decidir, peço o mesmo que o gordo, porque gordo que é gordo sabe o que faz.


Com frango ou sem frango, com aeroporto ou sem aeroporto, a Infraero informa: vai ter copa sim.

© 2023 by Salt & Pepper. Proudly created with Wix.com