E se a vida te der bananas, coma todas

Tem uma crônica da Martha Medeiros que fala daquelas situações em que alguém estaciona colado no nosso carro e nos obriga a entrar pela porta da direita. Martha Medeiros faz uma (linda!) analogia com as situações da vida em que algo nos chateia e nos paralisa, mas que o melhor a se fazer é entrar pela porta da direita.


Desde que li isso, entrar pela porta da direita virou minha filosofia de vida. Em vez de perder tempo reclamando, me estressando, perdendo meus cabelos louros (ok, há vezes em que reclamo, me estresso e perco meus cabelos louros), tento encontrar um plano B. Acredito que para tudo há, sim, uma alternativa. E quando a gente escolhe ser feliz, não sobra muito tempo pra lamentações.


Todos os dias pego trânsito para ir ao trabalho. Na hora de estacionar, é mais fácil encontrar a paz mundial do que uma vaga. Pesquisas recentes mostram que 1500 crianças nasceram, 700 casais se separaram e 2000 mulheres falaram “nada, não” enquanto eu procurava vaga. A vida é aquilo que acontece enquanto você procura vaga. Pois resolvi entrar pela porta da direita e comprei uma bicicleta. Vou passar a ir de bicicleta para o trabalho*, me restando apenas aprender a andar de bicicleta.


*ideia momentaneamente suspensa pelo meu pai.


Ainda no trabalho, encontro diariamente fila para subir no elevador, já que dois deles estão em reforma. Pois optei pela porta da direita e subo 19 andares de escada, quando necessário. Não perco mais tempo na fila reclamando com o colega da frente sobre como odeio esperar em filas. Se estou disposta, subo sim de escada, e quando chego ao meu andar já tem toda uma equipe especializada do SAMU para me receber com massagem cardíaca e máscaras de oxigênio caindo do teto.


Para mim, o episódio da banana (o bom de escrever é que a gente se pega utilizando expressões inéditas. Episódio da banana é algo que gostei de digitar) do Daniel Alves (episódio da banana do Daniel Alves é ainda melhor) foi uma brilhante entrada pela porta da direita. E é isso que quero para a minha vida: quando eu sentir raiva, frustração ou qualquer um desses sentimentos que nos fazem perder o controle, quero elegantemente comer minha banana e procurar a saída mais próxima para a porta da direita.


Não é melhor do que acumularmos raiva? Nada é mais importante que nossa paz interior.


Por que absorvemos tanto o que acontece a nossa volta? Por que tentamos, muitas vezes em vão, dar lições de moral para o mundo, mesmo que isso custe nossa saúde mental? #somostodosbananas

Você sabia que as doenças de cabeça já se tornaram a principal causa de afastamento do trabalho por saúde no Brasil? Que os remédios controlados são os mais vendidos no país?


Fico me perguntando se não estaríamos melhores nesse quesito se tivéssemos comido mais banana.

Vamos todos morrer um dia, e pouca coisa realmente importa, no fim das contas. O que te incomoda no dia de hoje provavelmente não fará a menor diferença daqui a 10 anos.


O que faz diferença é o nosso estado de espírito, apenas. É a nossa capacidade de interiorizar somente aquilo que nos faz bem. O resto? Deixa passar.


E se a vida te der bananas, coma todas.

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