Quando foi que todo mundo acordou puto?

Eu não sei dizer quando isso começou – ou se realmente começou, posso estar ficando louca. Mas a impressão que tenho é que a sociedade está de tpm.


A internet, principalmente, virou palco de ofensas (vide comentários tenebrosos em portais de notícias, blogs e etc), julgamentos e rótulos.

Se a pessoa gosta de Big Brother, não lê. Se é fã de axé, babaca. É de Brasília? Ladrão!


Eu, que vejo Big Brother, gosto de axé (nada mal, curtir um terra samba não é nada mal) e moro em Brasília, já posso procurar na TAM a passagem mais barata pro inferno?


Take it easy, meu povo.


“Antes de falar que tem molho barbecue na camisa de alguém, dê uma olhada na sua própria camisa”.

Não fique bravo se as pessoas não gostarem das mesmas coisas que você. Se elas são de direita, esquerda, in the midiu ou from behind, não as julgue.


O debate é saudável e deve existir. Mas se for preciso, perca a discussão – não o amigo. Lembro daquela frase: “O que você prefere? Ter razão ou ser feliz?”.


Não quero pregar o conformismo, nem a passividade diante de situações que devemos, sim, por a cara a tapa. Jamais. O que falo aqui é o julgamento puro e besta, que toma como único embasamento o outro ser diferente de você.


“O que você vai fazer com essas tatuagens quando ficar velha?” Vou ser uma velha tatuada, o que certamente é mais interessante que uma velha chata. “Nossa, você gosta de pagode?” Gosto, e nem por isso estou com 70% do meu cérebro comprometido (“expliquem essa, ateus”).

Quando não tiver algo legal ou construtivo para dizer, diga: “toma esse cheeseburger*”.

*sapato também é ok.


Todo mundo é meio brega, meio besta, meio louco: ninguém pode criticar o gosto de ninguém, porque um dia já ralou o tchan e pôs a tcheca pra sambar. Sabe de nada, inocente!


Como é que eu posso julgar alguém, se: entrei na internet para -> escrever este texto; e o que realmente fiz -> teste para saber qual cara do Sex and The City seria minha alma gêmea. Como posso criticar o gosto musical de um amigo, se: chorei ouvindo uma música do Luan Santana no carro (“isso a globo não mostra”).


Menos julgamento, e um pouco mais de “por favor”, “obrigada”, “desculpe” e “open bar” (o que falar dessas duas palavras que mal conheço e já considero pakas).


Pessoas bem resolvidas não diminuem o outro para se sentirem confiantes. Não criticam por criticar, elogiam com sinceridade, não julgam o que não devem.


Somos todos iguais, andando no mesmo barco, com fraturas nem sempre expostas. Não é justo descarregar nos outros a nossa braveza com nós mesmos.


Quando foi que todo mundo acordou puto?

© 2023 by Salt & Pepper. Proudly created with Wix.com