Oi, 2014

Não foi fácil me despedir de 2013.


Apesar de ter passado por momentos difíceis e perdas dolorosas, foi um dos anos em que consegui botar em prática grande parte dos objetivos traçados (em 2012 e na vida), tanto no pessoal quanto no profissional (TÃO, Faus,1980).


As conquistas foram tantas, graças a Deus, que comecei 2014 meio perdida, sem saber ao certo o que mentalizar para este ano.

Geralmente eu começo o primeiro de janeiro lendo um livro em cada mão enquanto corro na esteira e como alface, para recuperar o tempo perdido do ano anterior.


Mas dessa vez eu estava satisfeita com minhas atitudes do ano passado, sem estar desesperada por mudanças. Parte do meu apego a 2013 se deve à teoria de Galileu Galilei, que comprova a superioridade dos anos ímpares em relação aos pares (mentira, a teoria é minha).

Tudo isso, portanto, me fez segurar na mão de 2013 até hoje, dizendo “desliga você” enquanto 2013 respondia “não, desliga você, vai…”.

Tchau.


Venha, 2014, que agora eu quero lhe usar.


Não fiz uma lista de metas pontuais e específicas. Sim, eu tenho um desktop que clama por limpeza, um armário que expele documentos da época da corte portuguesa no Brasil e roupas que lembram o figurino dos Power Rangers. Preciso estabelecer tarefas para minha organização. Mas o que realmente me importa, neste momento, é o meu estado de espírito em 2014.


Não vou dizer que minha meta então é “ser feliz”, porque ninguém é feliz 365 dias no ano. Haverá dias em que terei vontade de grampear a cara de alguém, outros em que tomarei soro de brigadeiro na veia para interromper o choro, e outros em que a propaganda de sucrilhos me deixará pensativa.


O que eu quero, na verdade, é alimentar minha alma (se ela comer o tanto que meu corpo come eu tô no sal) com o que me satisfaz.


Quero conseguir desligar mais vezes minha cabeça, que é uma bicha que não me deixa em paz, nunca. Meditar. E por meditar eu não estou falando de sentar com perna de índio e fechar os olhos, porque sou capaz de pensar em 12 problemas por minuto quando faço isso. Não nasci pra yoga, infelizmente. Meditar, para mim, é qualquer coisa que me satisfaça ao ponto de não querer pensar em mais nada, só viver aquele momento. Esquecer um pouco da realidade e focar no que me dá prazer (e é nesse momento que me imagino numa daquelas piscinas cheia de fandangos que sempre sonhei em nadar).


Uma das minhas maiores dificuldades é desligar o interruptor do cérebro, que fala mais que aposentado em fila de banco. Queria conseguir virar uma amebinha quando eu quisesse, sem pensar, sem ter dúvidas, sem me cobrar, nada: só uma amebinha feliz. Eu penso demais, a toda hora, e isso acaba me gerando um desgaste emocional.


Enquanto eu leio um livro (três vezes o mesmo parágrafo), estou pensando no que tenho que fazer amanhã. Quando chega amanhã, percebo que estou lendo pouco e compro mais livros, me esquecendo dos 5 livros novos que já tenho na estante. Quando olho pra estante, noto que tem séculos que eu não organizo as fotos jogadas nela. E por falar em fotos, quando mesmo que vou revelar esse tanto de foto que tenho no computador? Estou vendo a hora dessa máquina pifar e eu perder tudo. Ih, lembrei do backup que tenho que fazer do meu notebook antigo.

Penso, logo não desligo.


Para 2014, quero menos ansiedade, menos preocupação, menos pensamentos negativos. Mais desapego. Quero lembrar que nosso estado de espírito está diretamente relacionado a nossa saúde, e cuidar do meu emocional com mesmo empenho e afinco que cuidamos do corpo (“meu emocional vai ficar obeso”, todos pensam).


Quero compreender cada vez mais que somos minúsculos perto da energia que move o universo, e que, no final de tudo, nossos problemas são insignificantes. O que importa mesmo é estarmos em paz conosco e em contato com o que nos faz bem – seja a natureza, a religião, a dança, o amor… Tem pra todo mundo. Abrace aquilo que te deixa zen.


Ou simplesmente abrace.

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