Então é Natal

05.12.2013

Ah, fim de ano… Época em que enchemos nossos corações de dívidas amor e bons sentimentos. Época em que floresce o sentimento de pobreza nobreza e solidariedade. É tempo de reflexão.

 

Reflexão? Só consigo refletir é se eu vou ter tempo para cumprir com todos os meus compromissos até 31/12. 


Comecemos pelos presentes. Shopping cheio = selva. O espírito natalino dá lugar ao espírito assassino, com tanta gente em um só lugar. Ontem fui ao shopping e levei uma sacolada na cara, veja bem. Era gente gritando, mulher se estapeando para pegar o último sapato da loja, criança berrando com medo do bom velhinho. O que eu entendo, por sinal, já que é no mínimo assustador sentar no colo de um senhor gordo e vermelho. Mamãe, não era você que me pedia para não falar com estranhos?

 

“Então é Natal, e o que você fez?”.  Bem Simone, eu não sei você, mas eu estou há três horas em uma fila de shopping tentando trocar minhas notais fiscais por um panetone. E nem de panetone eu gosto. Se ele ao menos fosse igual ao da embalagem; mas não. Parece que pegam a versão da foto, atropelam, mandam pro inferno e pedem pro capeta sentar em cima.

 

“O ano termina e nasce outra vez”… Quem vai precisar nascer de novo sou eu depois desse furacão chamado fim de ano, né? O presente do seu amigo oculto, por exemplo, já comprou? Aquele cidadão que você viu duas vezes na vida e não sabe nem se fala português? Eu era feliz e não sabia quando existiam os vales CDs. Pesquisas recentes mostram que a chance de você se dar bem em algum amigo oculto é a mesma de o peru de Natal levantar e comer um pedaço do tender.

 

Mas vamos que vamos, pois é dada a largada das confraternizações. É tempo de posar para foto com couve no dente e puxar papo com semi-desconhecidos. É hora de cumprimentar com dois beijinhos quando te dão um só e ir embora batendo a cara no vidro. Um brinde às confraternizações!

 

“Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser”. Hoje a pança é sua, hoje a pança é nossa, é de quem vier… É comida que não acaba mais, socorro! Adeus ano velho, feliz kilo novo, que tudo se celulite no ano que vai nascer…

 

Ah, fim de ano! “Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.” (Carlos Drummond de Andrade). E não é que é assim  mesmo? Terminamos o ano exaustos, cansados, de saco mais cheio que o do Papai Noel. Talvez se o ano tivesse um décimo terceiro mês, não aguentaríamos. Entregaríamos os pontos. Mas eis que chega janeiro, parece que as energias se renovam e a alma se fortalece.

 

Feliz alma nova para você.

 

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