Saco vazio não para em pé

06.11.2013

O trabalho dignifica o homem. Não há dúvidas. Ele bota a cabeça para pensar, nos ensina a conviver socialmente e ainda paga o tapete da sala.

 

Mas há momentos em que somos consumidos por ele. O cotidiano nos engole, nossos pensamentos e ações passam a girar em torno do batente.  Dormimos e acordamos pensando na firrrrma. Em tempos de mercado acelerado e dia a dia cada vez mais corrido, a cabeça se mantém 100% ocupada, mas nossa alma pode ficar vazia.

 

E saco vazio não para em pé. O trabalho é parte valiosa e gratificante da vida, mas não justifica nossa existência. É preciso preenchê-la com boas lembranças, crises de riso, música alta. É preciso acrescentar bom humor, fé, histórias para contar. Se vamos todos partir dessa para melhor (eu não), por que não aproveitar direito a trajetória? Woody Allen já disse por aí que gostaria de fazer um grande filme, desde que isso não atrapalhe a sua reserva para o jantar.

 

Pensar apenas em dinheiro e status dá gostinho de jiló para uma vida que poderia ser caramelo. Não deixemos a felicidade para segundo plano: ela é a única que dá sabor à nossa jornada.

 

Que não percamos a fome de bons livros. Que nos engajemos em boas causas, que tenhamos o bem como norteador de nossos caminhos. Que salivemos por teatro, que a barriga ronque por cultura. Que aluguemos filme, que batamos papo furado, que dancemos escondido. Que não só a pança fique cheia de arroz e feijão, mas o estômago, de borboletas.

 

Que não percamos, nunca, o apetite pela vida.

 

Please reload

© 2023 by Salt & Pepper. Proudly created with Wix.com