Mariana está digitando...

30.10.2013

“Perguntaram pra mim se ainda gosto dela
Respondi tenho ódio, e morro de amor por ela”.

 

Entre tapas e beijos é a minha relação com a tecnologia, essa rapariga abusada que me faz refletir 24h por dia onde é que estamos indo parar.

Vivo conectada boa parte do meu dia, sim. Devo um pouco de atenção à vida real, não nego, pago quando puder.

 

Mas não sou uma chinesa que carrega câmera digital do tamanho da Amazônia no peito, nem faço do celular meu tamagoshi, o alimentando de hora em hora (Onde será que anda o tamagoshi? Um beijo pra você, tama).


Cá entre nós, tenho um pouco de saudades do meu Nokia 2003 guerreirão. Aquele cuja bateria durava um mês (mesmo com todo o meu empenho no jogo da cobrinha), e cuja carcaça poderia ser utilizada junto ao corpo como colete a prova de balas. Nunca na história desse país houve relatos de um Nokia modelo 2003 que quebrou.

 

Naquela época, o celular era apenas um instrumento. Hoje, ele é a causa, o meio, o fim. Na maioria das vezes, a tecnologia me auxilia a resolver problemas que foram criados por ela mesmo, oras! Com o celular posso responder e-mails em tempo real (mas não exatamente porque quero responder e-mails em tempo real, e sim porque o mundo lá fora está conectado e espera que eu o faça).

 

Também posso acompanhar o que o pessoal anda fazendo nas redes sociais, o que em 90% das vezes me indica que enquanto estou na merda, o resto do mundo está viajando, malhando, sendo magro e feliz. E eu aqui, apenas um rapaz latino americano, sem dinheiro no banco, com unhas descascadas e looks do dia repetidos. Quando foi que todos passaram a ser perfeitos? Is this real life?

 

E aí vem o whatsapp, esta incrível ferramenta que nos faz lembrar de quem mora em outro país e esquecer de quem divide a mesa do jantar conosco. Apesar de ser heavy user e fã do whatsapp, acredito que a quantidade de pessoas unidas por ele acaba se igualando àquelas que o próprio desuniu.

 

Quem nunca foi mal interpretado no whatsapp, que atire o primeiro Iphone (de preferência na minha casa).


Quem nunca acompanhou o “visto hoje às” para saber o paradeiro de alguém, que atire o primeiro peguete. Aliás, beijo na boca é coisa do passado, a moda agora é vigiar o último lido do namorado.

 

Sei que estou parecendo uma velha reclamando das novas tecnologias, munida de críticas conservadoras e fraldas geriátricas. Mas, neste tempo em que digitamos muito e pensamos pouco, questionar é preciso.


Acredito, de verdade, que todas as tecnologias vieram pro bem. O problema somos nós (me incluo nesse bonde), que muitas vezes exageramos e fazemos mau uso dela. Eu confesso que, se todo o mundo resolvesse se desligar, abandonando seus aplicativos e redes sociais, eu ficaria feliz e me desligaria também. O problema em fazer isso sozinha é que o próximo passo seria deixar os cabelos do suvas crescerem e criar uma bola chamada Wilson, tamanho o isolamento social.

 

Então, enquanto isso, a gente segue entre tapas e beijos.
 

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